A China aumentou compras em junho, com 13,554 milhões de toneladas, recorde mensal e alta de 10,3% ano a ano. Analistas dizem que a soja brasileira segue mais competitiva em preço, consolidando vantagem frente aos EUA.
A China voltou a intensificar as compras de soja dos Estados Unidos, mas o Brasil mantém sua posição de liderança nas vendas para o país asiático. Analistas do mercado avaliam que a soja brasileira continua sendo mais competitiva em termos de preço, enquanto a demanda pelos produtos norte-americanos segue a sazonalidade da oferta global.
Segundo dados divulgados, a China importou, em junho, 13,554 milhões de toneladas de soja, um recorde para o mês e um aumento de 10,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. No total do primeiro semestre, as compras alcançaram 50,202 milhões de toneladas, um crescimento de apenas 1,6% em comparação ao ano anterior, o que indica que o desempenho de junho ainda não alterou significativamente o ritmo anual das importações.
A maior parte deste volume foi proveniente do Brasil, com 12,075 milhões de toneladas de soja brasileira importadas em junho, representando cerca de 90% do total de importações do mês. A diferença em relação aos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que registrou 10,28 milhões de toneladas, pode ser explicada pelo tempo de trânsito das cargas, que pode ultrapassar 40 dias entre o embarque e a descarga.
Para o mês de julho, as previsões dos portos brasileiros indicam exportações de aproximadamente 13,15 milhões de toneladas, das quais 9,23 milhões têm como destino a China. A consultoria Royal Rural destacou que as expectativas são de que as exportações continuem elevadas também em agosto, reflexo de negócios fechados anteriormente.
Apesar do aumento nas importações de soja pelos Estados Unidos, que registraram 1,26 milhão de toneladas em junho, esse volume ainda é inferior às 1,59 milhão de toneladas do mesmo mês de 2025. A retomada das compras é confirmada com a aquisição de pelo menos 1,25 milhão de toneladas para embarques programados a partir de setembro, período em que as compras normalmente se deslocam do Brasil para a nova safra americana.
“Apesar da retomada do negócio, ainda há dúvidas se o país asiático vai cumprir com o anúncio de compra de aproximadamente 25 milhões de toneladas anuais”, ressalta um analista.
A análise indica que a experiência recente mostra um intervalo considerável entre os anúncios de vendas, os embarques efetivos e a chegada da soja aos portos chineses, evidenciando a necessidade de cautela na interpretação desses compromissos comerciais. O clima nos próximos meses será crucial para determinar a produtividade das lavouras nos Estados Unidos, o que poderá afetar o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado.
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta uma produção de 121,8 milhões de toneladas na safra 2026/27, um aumento em relação à estimativa anterior. Entretanto, a efetiva execução das compras da China dependerá das condições climáticas, mesmo com a maior projeção de safra. As compras tendem a aumentar, acompanhando uma demanda global mais firme, enquanto os estoques finais nos EUA permanecem em um nível considerado confortável, mas sem excessos significativos.
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