Na madrugada de domingo, aldeias palestinas na Cisjordânia ocupada foram alvo de ataques com pichação e incêndios, segundo autoridades. O episódio sucede confronto de sexta que deixou seis mortos.
Na madrugada deste domingo (26), colonos israelenses atacaram aldeias palestinas na Cisjordânia ocupada, incendiando duas mesquitas e pichando prédios, conforme informações de autoridades palestinas.
Os episódios de violência ocorreram após um confronto na última sexta-feira, onde quatro palestinos e dois soldados israelenses foram mortos. Os soldados incluíam um coordenador de segurança de um assentamento israelense nas proximidades da aldeia palestina de Tal, situada a sudoeste de Nablus. Durante o incidente, moradores da região confrontaram colonos, resultando em um impasse. Vídeos do evento mostram um palestino tentando desarmar um colono. Autoridades palestinas alegam que os colonos foram os provocadores da violência, enquanto as forças armadas israelenses afirmaram que tiros foram disparados por ambos os lados.
O ataque é mais um episódio em uma série crescente de confrontos entre colonos e palestinos, que já resultaram na morte de dezenas de palestinos e ferimentos em centenas, de acordo com dados da ONU e da Autoridade Palestina. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que está em campanha para as eleições de outubro, ordenou uma operação de segurança reforçada na região, classificando as ações como resposta ao que chamou de terrorismo contra civis israelenses. O governo de Netanyahu, com apoio de membros da direita, discute a anexação da Cisjordânia, território conquistado durante a Guerra do Oriente Médio em 1967.
Após as mortes dos israelenses, colonos realizaram ataques a várias aldeias palestinas nas primeiras horas do domingo. Abdel Azim Wadi, presidente do conselho da vila de Qusra, relatou que colonos incendiaram uma mesquita em fase final de construção em sua localidade. “A mesquita estava pronta para acolher fiéis, equipada com sofás. Eles atearam fogo e deixaram mensagens em hebraico nas paredes”, afirmou Wadi.
A Autoridade Palestina descreveu o incidente como parte de um ataque generalizado contra os palestinos, acusando o Estado israelense de apoiar o que considera terrorismo de colonos. Em resposta, as forças armadas israelenses informaram que tropas foram enviadas a Qusra para investigar o ocorrido, encontrando sinais de incêndio criminoso e pichações. Elas afirmaram que a polícia será enviada para coletar provas e que incidentes desse tipo são condenados.
Em outros acontecimentos, autoridades palestinas relataram tentativas de incêndio em uma mesquita próxima a Kour, onde os fiéis conseguiram apagar o fogo antes que ele se espalhasse. Farid Jiyousi, membro do conselho da vila de Kour, declarou que este foi o primeiro ataque na localidade.
Durante o fim de semana, como parte da operação de segurança, cerca de 60 palestinos foram presos pelas forças israelenses, segundo o Clube dos Prisioneiros Palestinos. A maioria da comunidade internacional, incluindo órgãos da ONU, considera os assentamentos israelenses na Cisjordânia como ilegais, posição que é rejeitada por Israel. Os palestinos reivindicam a Cisjordânia como parte de um futuro Estado independente, enquanto Israel argumenta seus laços históricos com a região.
O papa expressou preocupação sobre a escalada de violência e pediu que as negociações levem a uma solução política justa, além de solicitar o respeito e a preservação dos locais sagrados.
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