Chamas avançam nos arredores de Bordeaux e devastaram a península de Cap Ferret. Autoridades evacuaram cerca de 220 mil pessoas na França e mais de 75 mil na Espanha; 30 mil foram orientadas a permanecer em abrigos.
Incêndios florestais avançaram em direção aos arredores da histórica cidade francesa de Bordeaux, localizada na região vinícola do país, neste domingo (26). Enquanto isso, França e Espanha enfrentam as chamas que já obrigaram a retirada de centenas de milhares de pessoas de suas residências.
Cerca de 220 mil pessoas foram evacuadas de áreas afetadas na França, enquanto na Espanha mais de 75 mil deixaram suas casas. Outras 30 mil receberam ordens para permanecer em abrigos, conforme informaram as autoridades locais.
Na França, os incêndios devastaram a península de Cap Ferret, um popular destino turístico, e se espalharam pelas áreas ao redor de Bordeaux. Os bombeiros estão trabalhando intensamente para conter as chamas e impedir que atinjam a capital regional. O prefeito de Bordeaux, Thomas Cazenave, informou que o incêndio estava a cerca de 15 quilômetros dos pontos de acesso à cidade.
“Temos um incêndio que não está sob controle e que está se movendo na direção da área urbana”, afirmou o ministro do Interior, Laurent Nunez, à emissora France 2. “A situação geral é muito desfavorável; estamos diante de uma situação sem precedentes.”
Cazenave havia declarado no início do dia que não havia planos de retirada para Bordeaux, cuja área metropolitana conta com cerca de 850 mil habitantes. Nunez destacou que as autoridades continuarão avaliando a situação com calma e realismo.
À medida que o incêndio avançava, a polícia fez rondas nos municípios de Marcheprime e Cestas durante a madrugada, ajudando na retirada dos moradores de suas casas. Autoridades francesas divulgaram imagens mostrando policiais batendo nas portas no escuro e pedindo que as pessoas saíssem.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez visitou áreas afetadas pelo incêndio em Ávila, uma das três províncias do centro do país com grandes incêndios, junto com Madri e Toledo. As chamas destruíram mais de 50 mil hectares em Ávila, tornando-se o maior incêndio florestal da história recente da Espanha, de acordo com a ministra do Meio Ambiente, Sara Aagesen.
Um incêndio separado na província de Castellón, no leste da Espanha, também devastou mais de 4.300 hectares. O governador regional de Valência, Juanfran Pérez, declarou que “o incêndio está fora de controle e é muito difícil de extinguir do ponto de vista técnico, especialmente devido às condições climáticas adversas que persistirão ao longo do dia.”
Os incêndios florestais são os mais recentes desastres relacionados à seca prolongada e às ondas de calor que, segundo cientistas, têm se intensificado devido às mudanças climáticas. Tanto em Bordeaux quanto em Ávila, as temperaturas máximas em julho atingiram uma média de 32 graus Celsius, quase 6 °C acima da média normal para o mês.
Desde janeiro, mais de 150 mil hectares foram queimados em toda a Espanha, seis vezes a área destruída durante o mesmo período do ano passado. Embora os incêndios florestais sejam comuns nos verões espanhóis, Sánchez ressaltou que sua escala e intensidade crescentes exigem políticas baseadas na ciência climática.
Na Escócia, cerca de 500 bombeiros enfrentam um grande incêndio no Parque Nacional de Cairngorms desde 15 de julho. Os moradores da vila de Nethy Bridge, evacuados na noite de sexta-feira devido a mudanças nas condições climáticas, puderam retornar às suas casas no final do sábado.
Na Itália, vários incêndios florestais forçaram o fechamento de trechos do anel viário de Roma, causando grandes transtornos no trânsito. Turistas foram evacuados de resorts à beira-mar devido a um grande incêndio na região de Puglia, e o Corpo de Bombeiros nacional relatou que alguns foram resgatados pela guarda costeira.
Além disso, incêndios levaram à suspensão temporária do tráfego ferroviário em áreas da Sicília. O Papa Leão, em uma declaração de sua residência em Castel Gandolfo, expressou apoio espiritual às vítimas dos incêndios, pedindo orações pelas pessoas afetadas e pelas equipes de resgate.
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