O deputado argentino Jorge Taiana, do partido Unión por la Pátria, apresentou nesta segunda-feira (27 de julho de 2026) um projeto de declaração na Câmara de Deputados da Argentina, com o objetivo de repudiar as declarações do presidente Javier Milei, do partido La Libertad Avanza, direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
No último sábado (25 de julho), Milei participou da convenção nacional do Partido Liberal (PL) em São Paulo, onde oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Durante seu discurso, ele fez referências negativas a Lula, chamando-o de “ladrão” e “presidiário”, além de se referir ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, como um “lixo careca”.
O projeto de Taiana expressa uma “forte condenação dos acontecimentos e das calúnias e insultos violentos” proferidos por Milei contra Lula e também contra o ministro do STF. Taiana, que foi chanceler da Argentina durante os mandatos dos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner, defendeu Lula, enfatizando que as afirmações de Milei configuram uma “interferência flagrante nos assuntos internos de outro Estado”, além de representar uma “violação aos princípios de não intervenção e de autodeterminação dos povos”.
O projeto questiona também a participação do chanceler argentino, Pablo Quirno, e do cônsul em São Paulo, Luis María Kreckler, no evento do PL onde Milei fez suas declarações. O deputado expressou sua preocupação com a tensão provocada pelas falas do presidente argentino.
Na mesma data, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina recebeu o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, como resposta às declarações de Milei. A convocação de um embaixador para consultas é um indicativo de insatisfação significativa com o país em que o diplomata atua. Embora não signifique uma ruptura diplomática, essa ação evidencia um desgaste nas relações entre os dois governos.
O deputado argentino reiterou sua preocupação de que as ações de Milei possam comprometer a cooperação diplomática e comercial entre Argentina e Brasil. Taiana ressaltou que essa preocupação se intensifica devido à importância estratégica do Brasil para a Argentina, visto que é o principal parceiro comercial do país e o principal destino das exportações industriais argentinas.
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