O plano é resposta à sobretaxa de 37,5% imposta pelos EUA e prevê apoio a exportadoras afetadas. Uma semana depois, setores seguem à espera da regulamentação; Ministério do Planejamento não definiu prazo.
Em resposta à sobretaxa de 37,5% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras, o governo federal lançou a terceira etapa do plano Brasil Soberano. O objetivo é oferecer suporte às empresas que foram impactadas por essa situação. Contudo, uma semana após o anúncio, os setores ainda aguardam a regulamentação da iniciativa.
O Ministério do Planejamento e Orçamento informou que não há prazo definido para a implementação dessa nova fase do plano, que prevê a criação de um conselho interministerial. Este colegiado será responsável por aprovar a aplicação dos recursos do Brasil Soberano III e, somente após essa etapa, haverá um detalhamento maior sobre sua implementação.
“Não há um prazo definido. Mas é importante reforçar que o Governo Federal trabalha com celeridade na construção do Decreto que irá instituir o Comitê e regulamentar a aplicação dos recursos”, afirmou a pasta.
Além do Ministério do Planejamento, a Casa Civil e a presidência da República também foram questionadas sobre a previsão de publicação do decreto que dará continuidade ao plano, mas não houve retorno.
A nova iniciativa, elaborada pela equipe econômica, destinará R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para as empresas que foram afetadas. Desse total, R$ 13,5 bilhões são provenientes do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
As empresas que poderão acessar esses recursos são aquelas atingidas pela tarifa de 25%, imposta pelos EUA devido a uma investigação que acusa o Brasil de práticas comerciais desleais. Além disso, as linhas de crédito também estarão disponíveis para empresários que enfrentam uma sobretaxa de 12,5%, decorrente de uma investigação sobre a importação de produtos relacionados ao trabalho forçado. Essas tarifas começaram a vigorar na semana passada.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) foi contatada sobre a expectativa em relação aos detalhes para acesso às linhas de crédito, mas optou por não se manifestar. Outras entidades representativas dos setores afetados também não responderam.
As linhas de crédito do Brasil Soberano III foram organizadas em três grupos: o primeiro abrange setores afetados pelas tarifas comerciais dos EUA, como aço, alumínio, automotivo e móveis; o segundo inclui setores industriais estratégicos, como têxtil, químicos, farmacêuticos e automotivo; e o terceiro abrange exportações para o Golfo Pérsico e setores impactados, como Arábia Saudita e Catar.
Os custos financeiros das linhas de crédito variam conforme o grupo e o tipo de operação, com taxas que vão de 3% a 9,8%, dependendo do porte das empresas e da linha de crédito escolhida.
Com essa nova fase do Brasil Soberano, o governo busca mitigar os impactos da tarifa imposta pelos EUA e fortalecer as empresas brasileiras diante de desafios comerciais.
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