Regiões do agro no Brasil têm expansão forte e desemprego em torno de 2%. Ingo Plöger (ABAG) denomina esses polos pumas tropicais por unir produção, empreendedorismo e investimentos.
Regiões brasileiras impulsionadas pelo agronegócio apresentam crescimento econômico superior ao da China, com taxas de desemprego próximas a 2% e uma expansão significativa da classe média. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Ingo Plöger, que introduziu o conceito de “pumas tropicais” para descrever esses locais em um evento recente.
A expressão “pumas tropicais” identifica estados e regiões que, segundo a ABAG, mantêm um ciclo prolongado de expansão econômica associado à produção agropecuária, ao empreendedorismo e a investimentos estruturantes. Plöger destacou que existem regiões brasileiras que já apresentam crescimento superior ao chinês há vários anos, além de uma classe média em ascensão e investimentos contínuos ao longo de mais de três décadas.
“São regiões brasileiras que têm um crescimento, já por vários anos, superior ao da China”, afirmou Plöger.
Entre os exemplos citados pelo presidente da ABAG estão Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Paraná, além de áreas do Matopiba, que é a fronteira agrícola formada por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e outras regiões na Bahia. A avaliação é que o avanço da produção agropecuária nessas áreas começa a gerar efeitos que vão muito além do setor.
A expansão do agronegócio movimenta cadeias de serviços, comércio, logística e infraestrutura. Segundo Plöger, isso contribui para criar uma dinâmica econômica de longo prazo nas regiões produtoras. Ele ressalta que essas áreas demonstram uma capacidade de planejar investimentos que vão além dos ciclos de curto prazo.
“Eles estão trazendo o empreendedorismo que supera o assistencialismo”, disse Plöger.
Entretanto, apesar do crescimento desses polos, Plöger observa que a dinâmica ainda não é uniforme em todo o Brasil. Regiões do Norte e Nordeste permanecem fora desse processo de crescimento acelerado. O desafio, segundo a ABAG, é criar condições para que o desenvolvimento observado nas “pumas tropicais” possa se espalhar por outras áreas do país, especialmente por meio de investimentos e ampliação da atividade produtiva.
“Nós temos que fazer um esforço para levar essa pujança brasileira a esses estados”, enfatizou Plöger. Ele também mencionou a importância de ter uma visão a longo prazo para replicar modelos de desenvolvimento em municípios agrícolas, aproveitando a vocação do Brasil como fornecedor de alimentos para determinar fluxos comerciais. Essas discussões colocam o desenvolvimento regional no centro do debate sobre a solidez econômica e a robustez do agronegócio brasileiro.
Após décadas de expansão da produção e abertura de novas fronteiras agrícolas, a ABAG acredita que o próximo passo é transformar o crescimento do setor em renda, infraestrutura e atividade econômica sustentável nas diversas regiões do Brasil.
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