Investidores avaliam impactos pontuais das chuvas no Rio Grande do Sul e primeiros sinais de El Niño nas safras. Especialistas adotam postura cautelosa: risco climático já é considerado nas projeções de inflação para 2026/27.
O mercado financeiro está atento às chuvas intensas que atingem o Rio Grande do Sul e aos primeiros sinais do fenômeno El Niño, analisando os possíveis impactos nas safras e nos preços dos alimentos. Neste momento, a avaliação predominante entre especialistas é de cautela, considerando que os efeitos são pontuais e concentrados em algumas culturas, sem indicações de um choque de oferta imediato.
Apesar da situação, o risco climático já está sendo incorporado nas projeções de inflação para os anos de 2026 e 2027. Segundo a editora da Broadcast, a situação requer atenção, mas sem alarme imediato.
“Por enquanto, o cenário é de cautela, mas é um risco que já está no radar e começa a ser incorporado nas projeções, sobretudo de inflação de alimentos”, afirmou.
As chuvas fortes e o granizo registrados nas últimas semanas têm impacto direto em algumas culturas agrícolas. A editora destacou que, além do arroz, que já sofreu danos significativos devido a enchentes em 2024, as precipitações também afetam a cultura do trigo, um insumo crucial para a produção de diversos alimentos consumidos no Brasil.
Sobre o fenômeno El Niño, os especialistas destacam que ele atua em duas fases distintas. Inicialmente, pode até reduzir os preços de alguns alimentos, acelerando o processo de colheita e antecipando a disponibilidade dos produtos nas prateleiras dos supermercados. Contudo, se o fenômeno levar a uma seca prolongada, pode ocorrer perda de produtividade, resultando em colheitas abaixo do esperado e fazendo com que o mercado ajuste os preços para refletir a expectativa de quebra de safra.
Neste cenário de seca, as commodities agrícolas podem sofrer alta, refletindo nos índices de preços no atacado, como o IGP-DI, o IGP-M e o IGP-10, e posteriormente na inflação oficial medida pelo IPCA. Recentemente, o Bradesco revisou sua expectativa para o IPCA de 2026, reduzindo-a de 5,3% para 5%, ainda acima do teto da meta de 4,5%. Essa revisão é influenciada por resultados mais favoráveis dos índices de inflação, incluindo o IPCA-15 de julho, que ficou abaixo do esperado.
Ainda assim, o quadro permanece de cautela. A possibilidade de fechamento da inflação acima do teto de 4,5% continua a dificultar as decisões do Banco Central. Muitos agentes do mercado acreditam na possibilidade de nova queda da Selic na próxima reunião do Copom em setembro, mas a editora enfatiza que “tudo vai depender muito da evolução dos preços aqui no Brasil e, claro, também do exterior”.
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