A equipe de campanha afirma que Lula poderia adotar um ajuste fiscal, se reeleito, para acalmar os mercados. Analistas contestam a sinalização, lembrando o histórico de resistência a reformas e as dúvidas sobre uma mudança de rota aos 81 anos.
Em um cenário de eleição acirrada, o entorno da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sustentado a ideia de que, se reeleito, ele estaria disposto a implementar algum tipo de ajuste fiscal. A narrativa, porém, gera ceticismo entre analistas e críticos.
A trajetória política de Lula, que se estende por décadas, é marcada por resistência a ajustes fiscais. Segundo analistas, quando houve alguma forma de ajuste, ela costumava estar associada a objetivos políticos, como a manutenção da governabilidade.
Aos 81 anos, o presidente transmite a impressão de que não alterou sua visão sobre a gestão das contas públicas. Quatro anos atrás, ao ser questionado sobre suas propostas para a economia, reiterou que seguiria o mesmo caminho que já havia adotado, apostando no estímulo ao consumo por meio de crédito, na expansão fiscal e em intervenções em estatais como instrumentos de investimento.
Lula também defende a indexação do orçamento e o aumento real do salário mínimo, medidas que, para críticos, podem se transformar em entraves fiscais. O presidente, por sua vez, considera distorcida a tese de que o gasto público é o principal motor do crescimento, atribuindo essa visão a setores financeiros.
Para os analistas, as consequências dessa abordagem — como o desequilíbrio fiscal e os juros elevados — costumam ser atribuídas ao setor financeiro, mas a dívida pública segue como fator de peso sobre a economia, que não pode ser ignorado.
O quadro sugere que, caso Lula vença as eleições, ele poderá se deparar com um contexto que exigirá a reavaliação de suas estratégias econômicas.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

