Uma comitiva de 30 empresários está em Luanda para avaliar oportunidades de investimento no agronegócio. Governo angolano aponta cerca de 30 milhões de hectares disponíveis, com áreas parecidas ao Cerrado.
Em Luanda, 30 empresários brasileiros participam de uma agenda de negócios com o objetivo de conhecer as oportunidades de investimento em Angola. A estratégia se concentra na aproximação entre os governos do Brasil e de Angola, liderados por Luiz Inácio Lula da Silva e João Lourenço, respectivamente. O agronegócio é considerado o eixo central dessa proposta.
Dados do governo angolano revelam que o país possui cerca de 30 milhões de hectares disponíveis para a prática agrícola. As áreas visitadas pelos produtores brasileiros apresentam características semelhantes às encontradas no Cerrado brasileiro, como solo, clima, relevo, altitude e disponibilidade hídrica.
Informações mais atualizadas indicam que Angola possui aproximadamente 35 milhões de hectares com potencial agrícola, dos quais cerca de 6 milhões estão em produção. No entanto, apenas 2% da área cultivada é irrigada, o que mostra um grande espaço para expansão.
Atualmente, Angola produz cerca de 3,3 milhões de toneladas de milho anualmente, mas busca aumentar essa produção para reduzir a dependência de importações. No caso do arroz, a produção nacional gira em torno de 50 mil toneladas, enquanto a demanda do mercado é estimada entre 300 mil e 350 mil toneladas. Além disso, o país também importa trigo e carnes, especialmente frango, o que representa uma oportunidade para o Brasil no campo da produção, comércio e investimento.
João Doria Junior, co-chairman do Lide e ex-governador de São Paulo, destacou que o governo angolano está interessado em atrair empresas brasileiras não apenas para exportar frango e ovos, mas também para estabelecer unidades produtivas em território angolano. O Brasil é reconhecido como o maior produtor e exportador mundial de carne de frango e também lidera na produção e exportação de ovos.
“Há um interesse real do governo angolano para que as empresas brasileiras que atuam nesse setor não só exportem para cá, mas também implementem suas operações aqui”, afirmou Doria. Ele acrescentou que a presença produtiva brasileira pode gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento local.
Embora o Brasil já seja um dos maiores exportadores mundiais de alimentos, sua relação comercial com Angola ainda é pequena. Em 2024, o Brasil exportou US$ 347 milhões em produtos do agronegócio para o país africano, principalmente carne bovina e açúcar. A proposta agora é expandir essa relação além da simples venda de produtos.
Kátia Abreu, ex-ministra, ressaltou que um produtor brasileiro que se instala em Angola pode demandar máquinas, sementes, fertilizantes e serviços brasileiros. “É uma exportação do ecossistema do agronegócio brasileiro. Para Angola, o ganho esperado é o aumento da produção doméstica e a redução da necessidade de importação de alimentos”, destacou.
No entanto, o potencial de investimentos não elimina os riscos. A segurança jurídica é um dos principais pontos de atenção para investidores estrangeiros. Em Angola, a terra é de propriedade do Estado, e os projetos agrícolas dependem de concessões. A ex-ministra enfatizou que um ambiente favorável à segurança jurídica é crucial para atrair investimentos de longo prazo.
Gianetti, especialista em comércio internacional, acredita que o Brasil enfrenta desafios para internacionalizar seus negócios. O país desenvolveu uma forte cultura exportadora de commodities, mas ainda tem dificuldades em levar empresas e capital para outros mercados. A evolução desse movimento tem sido lenta, e a cultura empresarial brasileira precisa se adaptar para participar da produção local e criar cadeias de fornecedores em outros países.
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