O Supremo analisa recursos em plenário virtual (14 a 21 de agosto) sobre os expurgos inflacionários dos planos Bresser, Verão e Collor. A Febrapo aponta que cerca de R$6,1 bilhões ainda não foram pagos.
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia hoje, 14 de agosto, no plenário virtual, o julgamento de recursos que discutem a forma de pagamento dos expurgos inflacionários relacionados aos planos Bresser, Verão, Collor I e Collor II. A análise permanecerá aberta até o dia 21 de agosto.
Os ministros do STF vão decidir se os poupadores com direito ao ressarcimento podem receber os valores sem a necessidade de aderir formalmente ao acordo coletivo homologado pela Corte. De acordo com a Frente Brasileira pelos Poupadores (Febrapo), cerca de R$ 6,1 bilhões ainda estão pendentes de pagamento.
A discussão envolve um embate entre entidades que representam os poupadores e instituições financeiras. A Febrapo defende que os bancos devem localizar e pagar diretamente os beneficiários, enquanto as instituições financeiras argumentam que cada poupador precisa manifestar formalmente a intenção de aderir ao acordo.
Segundo estimativas da Febrapo, mais de 200 mil pessoas, entre poupadores e herdeiros, ainda aguardam ressarcimento pelas perdas sofridas nas cadernetas de poupança durante as décadas de 1980 e 1990. O impasse ocorre após o STF ter fixado um prazo de 24 meses para novas adesões ao acordo coletivo. A entidade alega que a exigência de que os próprios poupadores iniciem o procedimento pode impedir que uma parte dos credores receba os valores dentro do período estabelecido.
A Febrapo também critica os bancos, afirmando que não têm feito esforço suficiente para localizar os beneficiários. Atualmente, são fechados cerca de 5 mil acordos por mês, enquanto seria necessário ultrapassar 18 mil adesões mensais para quitar o saldo de R$ 6,1 bilhões dentro do prazo disponível.
“É inaceitável que um acordo, que já prevê um deságio significativo e é, por essência, altamente benéfico aos bancos, seja descumprido de forma tão vergonhosa e não pague a todos os poupadores e seus herdeiros que sofrem as consequências de planos econômicos e que esperaram 20, 30 anos para serem ressarcidos”, afirmou a diretora executiva da Febrapo.
As instituições financeiras, por outro lado, sustentam que a decisão do Supremo que homologou o acordo não eliminou a necessidade de manifestação voluntária e expressa de cada poupador. Para os bancos, a adesão individual é fundamental para formalizar o pagamento e encerrar as respectivas ações judiciais.
O acordo coletivo sobre os expurgos inflacionários foi firmado em 2017 entre instituições financeiras e entidades de defesa dos consumidores, com a participação da Advocacia-Geral da União (AGU). A medida buscou solucionar milhares de processos que discutiam as perdas provocadas pelos planos econômicos.
Em maio de 2025, o STF concluiu o julgamento de mérito da ADPF 165, sob relatoria do ministro Cristiano Zanin. Por unanimidade, a Corte declarou a constitucionalidade dos planos Bresser, Verão, Collor I e Collor II, reafirmou o acordo coletivo e determinou sua aplicação aos processos sobre os expurgos inflacionários, além de abrir um prazo de 24 meses para novas adesões de poupadores.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

