O presidente foi sabatinado por 40 minutos no Jornal Nacional, com Renata Vasconcellos e César Tralli. Ele se esquivou das perguntas sobre as investigações da Polícia Federal que envolvem o filho e falou de economia e segurança.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi sabatinado por 40 minutos no Jornal Nacional na quinta-feira (27/8), em entrevista conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli. Em uma conversa marcada por momentos de tensão, ele se esquivou de perguntas sobre a família e aliados próximos, além de falar de economia e segurança pública.
Investigação sobre o filho
O trecho mais delicado tratou das investigações da Polícia Federal sobre seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Questionado sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência, o presidente classificou as acusações como ilações.
Ele afirmou que não pretende usar o cargo para proteger familiares e disse que, se o filho cometeu algum crime, deve responder como qualquer outra pessoa. Na sequência, criticou supostos vazamentos de investigação da Polícia Federal para a imprensa.
O nome da lobista Roberta Luchsinger também foi citado. Apesar dos registros fotográficos ao lado da empresária, Lula negou conhecê-la e a chamou de pilantra durante a entrevista.
Sobre o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o presidente reconheceu que houve erros nos contatos mantidos e afirmou que cada um deve responder individualmente pelos próprios atos.
Atrito com os âncoras
Incomodado com a sequência de perguntas sobre investigações, Lula reclamou da condução da entrevista e comparou a situação a um interrogatório do Ministério Público.
Ele também resgatou o episódio do PowerPoint atribuído a Deltan Dallagnol para criticar a cobertura da Lava Jato. Renata Vasconcellos defendeu o jornalismo da emissora, e César Tralli lembrou que a empresa já havia feito uma retratação.
Economia, Correios e segurança
Sobre economia, Lula declarou não estar preocupado com a dívida pública. Segundo ele, o problema está nos juros elevados, e a gestão mantém responsabilidade fiscal, com o crescimento econômico como caminho para equilibrar a relação entre dívida e PIB.
Em relação aos Correios, afirmou não haver plano de privatização e prometeu a recuperação financeira da estatal.
No fechamento, disse que o escândalo das fraudes no INSS foi desarticulado pelo governo, que já teria ressarcido as vítimas, e anunciou a intenção de ampliar a integração entre União e estados no combate ao crime organizado, além de expandir programas educacionais.
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