Insomniac e Marvel Games renovam a presença dos mutantes com um jogo focado em combates sangrentos e chefes poderosos. O gameplay privilegia ação visceral, embora sofra com fase linear.
O lançamento de Marvel’s Wolverine está próximo e promete devolver os mutantes aos videogames após um longo período afastados. O projeto, criado pela Insomniac Games em parceria com a Marvel Games e anunciado em 2021, finalmente chegará ao PlayStation 5.
O jogo de ação e aventura adota caminho distinto da saga do Homem-Aranha (2018–2023), com foco maior no combate contra vilões poderosos e hordas de inimigos que despertam a sede de sangue do carcaju. Com garras afiadas, o membro dos X-Men demonstra por que é implacável em combate: dilacera inimigos, arranca membros e avança cortando tudo em seu caminho. Ao mesmo tempo, há esforços para explorar um lado menos visto do personagem: a solidão e a culpa de Logan.
Embora exista um abismo entre Marvel’s Wolverine e os grandes nomes do gênero, a experiência no PS5 não é descartável e pode surpreender por sua abordagem. A ação desenfreada e o banho de sangue são elementos centrais e bem representados — os movimentos, saltos, uso das garras e o fator de cura aparecem com boa execução, oferecendo momentos recompensadores a cada confronto.
“Esta fórmula irrita mais quando você vê o game te facilitar o caminho com luzes que marcam para onde precisa ir ou bloqueios que te impedem só de ir ‘até ali’ enquanto outro personagem faz seu monólogo” – Diego Corumba
No entanto, o título segue de forma rígida a chamada “fórmula PlayStation”: longas sequências cinematográficas intercaladas com fases em que o jogador controla o personagem até a próxima cena. Essa estrutura, muito usada por franquias como Uncharted e The Last of Us, torna o jogo extremamente linear, com cenários limitados que pouco permitem uso criativo do ambiente.
Na narrativa, Logan atua há alguns anos ao lado de Essex e da Equipe X — formada por Mística, Dentes-de-Sabre e outros aliados — com objetivo de proteger mutantes, o que leva o time a confrontar Bolivar Trask e suas iniciativas contra a espécie. Trask captura os Morlocks, e o caminho de Wolverine se cruza com o de Jean Grey; a partir do romance entre ambos, segredos de Trask e de Essex movimentam a trama.
A Insomniac trouxe diversas referências de HQs clássicas — de Arma-X a Eu, Wolverine —, o que mostra estudo do material-fonte. O problema é que a sensação, por vezes, é a de que vários arcos foram misturados sem a mesma coesão que se viu em adaptações anteriores. Ainda assim, há progressão coesa e desafios bem colocados, e a experiência pode agradar tanto fãs do personagem quanto jogadores que buscam ação direta no console.
Prós:
- Todas as mecânicas funcionam muito bem
- Ação de primeira
- Constrói uma boa base para os X-Men
- Desafios e dificuldade muito bons
Contras:
- Representação estranha de personagens clássicos
- Progressão extremamente linear
- Repete a “fórmula PlayStation”
- Parece que colocaram vários arcos clássicos em um liquidificador
Para jogadores em Sergipe e no resto do país, a pergunta permanece: será que vale a pena dar uma chance a James “Logan” Howlett? A resposta dependerá do quanto o público valoriza combate visceral e narrativa mais dirigida em detrimento de liberdade de exploração.




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