Conexis Brasil Digital pediu ao STF que exclua domínios do Google da navegação gratuita para usuários sem franquia nas eleições de 2026. Operadoras dizem que isso amplia o alcance do acesso gratuito à Justiça Eleitoral.
A disputa sobre o acesso gratuito à internet durante as eleições de 2026 chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). As operadoras de telefonia, representadas pela Conexis Brasil Digital, pediram à Corte que retirasse os domínios do Google da lista de serviços com navegação gratuita para usuários que esgotassem a franquia de dados móveis no período eleitoral.
A solicitação foi enviada ao ministro Cristiano Zanin e questionou os efeitos da decisão que determinou o acesso sem cobrança a páginas e aplicativos da Justiça Eleitoral. Segundo as operadoras, a inclusão de endereços como google.com e google.com.br poderia gerar riscos técnicos, operacionais e econômicos para as redes móveis.
Entre as preocupações apontadas pelas empresas estava o fato de que a liberação dos domínios permitiria o uso gratuito de serviços do Google que não têm relação direta com as eleições, como buscas, imagens e vídeos. Para a Conexis, isso poderia provocar um aumento inesperado no tráfego de dados, com possibilidade de congestionamento e até colapso das redes.
A associação citou o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) como exemplo. De acordo com a Conexis, o site do tribunal utilizava recursos integrados ao domínio do Google e, assim, liberar o acesso necessário ao serviço eleitoral poderia acabar abrangendo todo o domínio da empresa, ampliando o benefício além do objetivo original da decisão.
A gratuidade havia sido determinada por uma liminar do ministro Cristiano Zanin, posteriormente confirmada pela maioria do STF. A medida estabeleceu que a Anatel garantia o acesso sem consumo de franquia aos serviços digitais da Justiça Eleitoral nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores a cada turno das eleições.
A decisão abrangeu os sites oficiais da Justiça Eleitoral, com domínio jus.br, e aplicativos como e-Título, Mesário, Boletim na Mão, Resultados e Pardal, além de páginas de agências de checagem parceiras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O objetivo declarado da medida foi permitir que eleitores sem dados móveis consultassem informações sobre votação e verificassem conteúdos que circulassem durante o pleito.
Além de pedir a exclusão do Google, a Conexis solicitou autorização para limitar o volume de dados gratuitos por acesso e para suspender temporariamente a gratuidade em situações de sobrecarga. A entidade também requereu que as operadoras não fossem responsabilizadas por eventuais falhas decorrentes da medida.
As empresas argumentaram que instabilidades poderiam prejudicar eleitores, a transmissão dos resultados da votação e a conectividade de equipes de logística eleitoral e forças de segurança. A associação ainda apontou possíveis problemas de autenticação e o uso de ferramentas externas, como captchas, que poderiam comprometer o funcionamento de serviços eleitorais.
A matéria foi publicada em 02/10/2026.
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