A 5ª Vara Criminal do Fórum Gumersindo Bessa, em Aracaju, realiza nesta quarta-feira, 17, a segunda audiência de instrução do processo que investiga o assassinato do advogado criminalista José Lael de Souza Rodrigues Júnior, 42 anos.
De acordo com o advogado Fábio Trindade, representante da família da médica Daniele Barreto, esta fase foi dividida em três dias de oitivas. O encontro de hoje marca o primeiro dia reservado aos depoimentos de acusação, considerados fundamentais para o andamento da ação penal.
Entre as testemunhas previstas estão Leonardo, a irmã da vítima e outras pessoas que conviviam com o advogado e contribuíram com o inquérito policial. “Esses relatos vão esclarecer pontos ainda obscuros e permitir que as defesas ajustem suas estratégias com base nos fatos apresentados”, afirmou Trindade a uma emissora local.
Extinção de punibilidade
O advogado Guilherme Maluf, que representa os familiares de José Lael, lembrou que a punibilidade da médica Daniele Barreto foi extinta após ela ser encontrada morta, há uma semana, no presídio feminino de Nossa Senhora do Socorro. “Ela sai do processo, mas as audiências continuam normalmente para os demais réus. Ainda há etapas importantes, como a oitiva das testemunhas, que vão relatar o histórico dos fatos até chegarmos à sentença”, ressaltou.
Nas próximas sessões devem ser ouvidas pessoas próximas tanto à vítima quanto à ré falecida, entre elas o ex-companheiro de Daniele.
Posicionamento da defesa
A defesa de Alvaci Feitoza — amiga de Daniele e também ré — optou por não comentar o mérito das acusações. A advogada Agtta Vasconcelos explicou que o processo tramita em segredo de justiça e a fase atual é de produção de provas. “Qualquer pronunciamento agora seria prematuro. Mais adiante estaremos disponíveis para conversar com a imprensa”, declarou.
Relembre o caso
José Lael foi morto a tiros em 18 de outubro de 2024, depois de sair para comprar açaí a pedido da esposa, Daniele Barreto. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP/SE), o crime teria sido planejado por Daniele com apoio de Alvaci Feitoza, motivado pelo receio de uma separação, disputa patrimonial e desconfianças do advogado sobre o comportamento da esposa.
O caso ganhou repercussão após a prisão das duas suspeitas. Em março de 2025, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prisão domiciliar a Daniele, com base em documentos que apontavam agressões de Lael e preocupação com o filho do casal, de 10 anos. Já a defesa de Alvaci divulgou, em 6 de agosto, nota pública relatando disparidade no tratamento judicial entre as rés, após ter dois pedidos de liberdade negados.
As audiências de instrução prosseguem nas próximas datas definidas pela Justiça.
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