O Estado de Sergipe voltou a realizar transplante de rim proveniente de doador falecido depois de 13 anos. A cirurgia ocorreu em 10 de novembro no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU/UFS), logo após a captação dos órgãos no Hospital de Urgência de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse).
De acordo com o coordenador da Central Estadual de Transplantes de Sergipe (CET/SE), Benito Oliveira Fernandez, a retomada representa um avanço para pacientes com doença renal crônica que aguardam por um órgão no estado. “Esse retorno simboliza esperança para muitos sergipanos, agora com a possibilidade de realizar o procedimento aqui mesmo”, afirmou.
A operação só foi possível graças à autorização da família do doador, que permitiu a retirada de fígado, rins e córneas. Um dos rins foi encaminhado ao HU/UFS e transplantado em um paciente sergipano no mesmo dia.
Para o nefrologista Laurisson Albuquerque, que liderou a equipe responsável pelo transplante no HU/UFS, o procedimento feito integralmente em Sergipe reduz a necessidade de deslocamento dos pacientes. “Todos ganham: equipe, hospital e, principalmente, o paciente”, ressaltou.
Ampliação da capacidade de transplantes
Recentemente, o Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), firmou contrato com a Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC) para retomar transplantes renais com doadores vivos e falecidos e iniciar, pela primeira vez, procedimentos de fígado. A unidade deverá, em breve, formar a lista de receptores.
Até então, o HU/UFS realizava transplantes renais apenas com doadores vivos que possuíam grau de parentesco com o receptor.
Números de doações em 2024
Segundo a CET/SE, em 2024 foram registrados 57 doadores falecidos, possibilitando a captação de 56 rins, 22 fígados e quatro corações. Até 12 de outubro, o estado contabilizava 41 doadores, com a retirada de 42 rins, 21 fígados e quatro corações. No mesmo período, ocorreram 191 transplantes de córnea e dois de rim — um com doador vivo e outro, agora, com doador falecido.
Com a retomada dos transplantes renais a partir de doadores falecidos, Sergipe amplia a rede local de atendimento e reduz a dependência de outros estados para esse tipo de procedimento.
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