Na sessão desta quarta-feira (15), a deputada estadual Linda Brasil (Psol) levou à Tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) a denúncia de um ataque ao terreiro Ilê Axé Iá Oxum, situado no bairro Robalo, em Aracaju. O espaço sagrado foi invadido, violado e parcialmente destruído em 3 de outubro.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram a porta arrombada, cômodos revirados e objetos religiosos espalhados pelo chão. Roupas litúrgicas, instrumentos de culto e itens domésticos — incluindo geladeira, fogão, botijão de gás e uma máquina de costura usada na confecção das vestimentas rituais — foram furtados ou danificados.
Segundo os responsáveis pela casa, o episódio caracteriza racismo religioso por atingir diretamente símbolos e a dignidade espiritual da comunidade de axé. A Polícia Civil registrou boletim de ocorrência, e o caso segue sob investigação da Delegacia de Atendimento a Crimes Homofóbicos, Racismo e Intolerância Religiosa (DACHRI).
Leis de proteção e solidariedade
Linda Brasil destacou a importância da Lei nº 9.404/2024, de sua autoria, que institui o mês Abril Verde e cria o Selo de Combate ao Racismo Religioso e à Intolerância Religiosa em Sergipe. A parlamentar manifestou apoio às lideranças do Ilê Axé Iá Oxum e reafirmou o compromisso de atuar para que “nenhuma casa de axé em Sergipe volte a ser alvo de violência ou desrespeito”.
Frente Ampla contra Organizações Sociais
Durante o pronunciamento, a deputada também relatou sua participação no lançamento da Frente Ampla contra as Organizações Sociais (OSs), ocorrida na terça-feira (14). O movimento reúne sindicatos, centrais sindicais, parlamentares e trabalhadores em defesa do concurso público e da gestão direta dos serviços de Saúde, Educação e Assistência Social.
Linda Brasil citou denúncias contra a Irmandade Boituva, responsável pelo Hospital da Criança, como redução salarial de assistentes sociais, descumprimento de carga horária, contratações sem garantias trabalhistas e substituição de pediatras por generalistas. A parlamentar também criticou a gestão da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, pela transferência da administração das Unidades de Saúde da Família ao Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas). O Processo Seletivo nº 1018/2025, afirmou, oferece salários 48,78% abaixo do piso da categoria de assistentes sociais e apresenta falhas que dificultam a inscrição de pessoas com deficiência.
“É lamentável ver o desmonte da saúde pública em nosso estado. Estamos analisando juridicamente o caso e tomaremos as medidas cabíveis”, declarou a deputada.
As investigações sobre o ataque ao terreiro e as eventuais providências contra as Organizações Sociais seguem em andamento.
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