A procura por transplantes de córnea no Brasil aumentou 276% na última década, impulsionada principalmente pelo avanço do ceratocone, de acordo com levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) em parceria com o Instituto Penido Burnier.
Doença silenciosa entre jovens
O ceratocone provoca afinamento e deformação da córnea, comprometendo a visão e podendo levar à cegueira nos casos mais graves. Os primeiros sintomas costumam aparecer entre os 10 e 25 anos, fase em que a estrutura ocular é mais suscetível a deformações.
Segundo o presidente da Sociedade Sergipana de Oftalmologia (SSO), Dr. Allan Luz, a falta de informação e de acompanhamento oftalmológico contribui para o crescimento dos casos. “A doença geralmente começa na adolescência e, quando confundida com miopia ou astigmatismo, continua avançando até que o transplante se torne a única opção”, afirma o especialista.
Hábitos que agravam o quadro
Coçar ou esfregar os olhos é apontado como um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e a progressão do ceratocone. O hábito, comum entre pessoas com alergias, enfraquece a estrutura da córnea e acelera a deformação, alerta o oftalmologista.
Exames e tratamentos disponíveis
A topografia de córnea é o exame mais indicado para detectar precocemente a doença, mapeando alterações antes que haja perda significativa de visão. Nos estágios iniciais, óculos ou lentes de contato rígidas costumam proporcionar boa qualidade visual. Em situações de maior deformação, as opções incluem crosslinking de colágeno, implante de anel intracorneano (Anel de Ferrara) e, em último caso, transplante de córnea.
“Hoje existem recursos capazes de estabilizar o ceratocone, desde que o paciente seja acompanhado regularmente. Evitar coçar os olhos e procurar um especialista diante de qualquer alteração visual são atitudes que podem prevenir complicações”, reforça Dr. Allan Luz.
Perfil do especialista
Formado pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Dr. Allan Luz é especialista em transplante de córnea, tratamento do ceratocone e cirurgia refrativa. Professor e coordenador do curso de especialização do Hospital de Olhos de Sergipe (HOS), possui doutorado em Oftalmologia e Ciências Visuais pela Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e já recebeu premiações nacionais e internacionais.
O avanço expressivo na demanda por transplantes de córnea reforça a necessidade de diagnóstico precoce e de campanhas de conscientização sobre os cuidados com a saúde ocular, especialmente entre crianças e jovens.
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