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Aracaju, Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
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Saúde

Por que emagrecer é uma batalha biológica e não apenas uma escolha

É só fechar a boca". "Falta vergonha na cara". Comentários como esses inundam as redes sociais sempre que o assunto é obesidade. A crença popular de que o excesso de peso é puramente uma falha de caráter ou falta de força de vontade ainda é defendida por 8 em cada 10 pessoas, segundo estudo publicado na revista médica The Lancet.

06/01/2026 · 15h25
Por que emagrecer é uma batalha biológica e não apenas uma escolha

Especialistas alertam que culpar o indivíduo ignora fatores genéticos cruciais. Estudo aponta que 20% da população mundial possui mutação que dificulta a saciedade.

“É só fechar a boca”. “Falta vergonha na cara”. Comentários como esses inundam as redes sociais sempre que o assunto é obesidade. A crença popular de que o excesso de peso é puramente uma falha de caráter ou falta de força de vontade ainda é defendida por 8 em cada 10 pessoas, segundo estudo publicado na revista médica The Lancet.

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Porém, a ciência tem uma resposta diferente e contundente: o jogo não é igual para todos.

Especialistas ouvidos recentemente, como a nutricionista Bini Suresh e a médica Kim Boyd, são categóricos ao afirmar que termos como “autocontrole” são inadequados para tratar uma doença complexa e multifatorial.

“Vejo com frequência pacientes altamente motivados, bem informados e que se esforçam de forma consistente, mas ainda assim enfrentam dificuldades para controlar o peso”, relata Suresh.

A Culpa é dos Genes?

A resposta curta é: em grande parte, sim. Segundo a professora Sadaf Farooqi, da Universidade de Cambridge, milhares de genes influenciam como nosso corpo armazena gordura e processa a fome.

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O destaque vai para o gene MC4R. Uma mutação neste gene específico afeta os circuitos cerebrais que regulam a fome e a saciedade. Quem possui essa alteração — cerca de 20% da população mundial — sente mais fome e demora muito mais para se sentir satisfeito após comer.

“Isso significa que algumas pessoas ganham mais peso e armazenam mais gordura ao consumir a mesma quantidade de alimento do que outras, ou queimam menos calorias quando se exercitam”, explica Farooqi.

Batalha Desigual

O cenário mostra que a obesidade é uma batalha contra a própria biologia, e não apenas uma questão de “fazer escolhas saudáveis”. Enquanto políticas públicas começam a mudar — como no Reino Unido, que proibiu publicidade de alimentos não saudáveis na TV antes das 21h nesta semana —, o primeiro passo para o tratamento eficaz é o fim do estigma.

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Entender que o corpo luta para manter o peso por mecanismos de sobrevivência ancestral é fundamental para buscar tratamentos médicos adequados, que vão muito além da simples dieta.

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Especialistas alertam que culpar o indivíduo ignora fatores genéticos cruciais. Estudo aponta que 20% da população mundial possui mutação que dificulta a saciedade.

“É só fechar a boca”. “Falta vergonha na cara”. Comentários como esses inundam as redes sociais sempre que o assunto é obesidade. A crença popular de que o excesso de peso é puramente uma falha de caráter ou falta de força de vontade ainda é defendida por 8 em cada 10 pessoas, segundo estudo publicado na revista médica The Lancet.

Porém, a ciência tem uma resposta diferente e contundente: o jogo não é igual para todos.

Especialistas ouvidos recentemente, como a nutricionista Bini Suresh e a médica Kim Boyd, são categóricos ao afirmar que termos como “autocontrole” são inadequados para tratar uma doença complexa e multifatorial.

“Vejo com frequência pacientes altamente motivados, bem informados e que se esforçam de forma consistente, mas ainda assim enfrentam dificuldades para controlar o peso”, relata Suresh.

A Culpa é dos Genes?

A resposta curta é: em grande parte, sim. Segundo a professora Sadaf Farooqi, da Universidade de Cambridge, milhares de genes influenciam como nosso corpo armazena gordura e processa a fome.

O destaque vai para o gene MC4R. Uma mutação neste gene específico afeta os circuitos cerebrais que regulam a fome e a saciedade. Quem possui essa alteração — cerca de 20% da população mundial — sente mais fome e demora muito mais para se sentir satisfeito após comer.

“Isso significa que algumas pessoas ganham mais peso e armazenam mais gordura ao consumir a mesma quantidade de alimento do que outras, ou queimam menos calorias quando se exercitam”, explica Farooqi.

Batalha Desigual

O cenário mostra que a obesidade é uma batalha contra a própria biologia, e não apenas uma questão de “fazer escolhas saudáveis”. Enquanto políticas públicas começam a mudar — como no Reino Unido, que proibiu publicidade de alimentos não saudáveis na TV antes das 21h nesta semana —, o primeiro passo para o tratamento eficaz é o fim do estigma.

Entender que o corpo luta para manter o peso por mecanismos de sobrevivência ancestral é fundamental para buscar tratamentos médicos adequados, que vão muito além da simples dieta.

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