A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os conselhos federais de Medicina (CFM), Odontologia (CFO) e Farmácia (CFF) assinaram uma carta de intenção com o objetivo de promover o uso racional e seguro dos medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.
A iniciativa visa prevenir riscos sanitários ligados a produtos e práticas irregulares e resguardar a saúde da população brasileira, informou a Anvisa. Segundo a agência, a atuação conjunta será baseada na troca de informações, alinhamento técnico e em ações educativas entre as instituições.
Plano de combate a irregularidades
A medida integra um plano anunciado pela Anvisa no último dia 6, voltado ao combate a irregularidades na importação e manipulação desses medicamentos. Entre as ações previstas estão o incentivo à prescrição responsável, o fortalecimento da notificação de eventos adversos e a promoção de campanhas de orientação dirigidas a profissionais de saúde e ao público.
A carta alerta que o aumento da oferta e da procura por canetas emagrecedoras tem sido acompanhado por irregularidades em etapas como importação, manipulação, prescrição e dispensação, “o que pode expor pacientes a riscos evitáveis”, segundo o documento.
Grupos de trabalho
A Anvisa informou que portarias para criação de grupos de trabalho sobre o tema devem ser publicadas ainda esta semana. Um dos grupos terá caráter consultivo e atuará como instância de governança para acompanhar a implementação do plano. O segundo grupo será formado por integrantes dos três conselhos para promover discussão técnica qualificada sobre os medicamentos.
Apreensão de produtos irregulares
Também nesta semana, a Anvisa determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, produzidos por empresa não identificada, conforme a Resolução RE n.º 1.519 de 13 de abril de 2026. A medida proíbe a comercialização, distribuição, importação e uso desses produtos.
Segundo a agência, os produtos eram amplamente divulgados na internet como injetáveis de GLP-1, mas não possuem registro, notificação ou cadastro na Anvisa, razão pela qual não devem ser utilizados em nenhuma hipótese, por não haver garantias quanto ao conteúdo ou qualidade.
Operação no Rio de Janeiro
Na mesma semana, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus vindo do Paraguai em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, por suspeita de transporte de material ilegal. Havia 42 passageiros no veículo, que foram conduzidos à Cidade da Polícia. Um casal que embarcou em Foz do Iguaçu foi preso em flagrante com grande quantidade de produtos de origem paraguaia, entre eles anabolizantes e mil frascos de canetas emagrecedoras contendo tirzepatida.
Alertas sobre riscos
Em fevereiro, a Anvisa emitiu alerta de farmacovigilância sobre o uso indevido das chamadas canetas emagrecedoras, que incluem substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. A agência registrou aumento nas notificações de eventos adversos, tanto no exterior quanto no Brasil, e ressaltou que esses medicamentos devem ser usados somente conforme indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.
O monitoramento médico é justificado pelo potencial de eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda, que em casos extremos pode ser necrotizante e fatal.
As instituições afirmaram que a cooperação visa reduzir riscos associados ao uso inadequado e combater a circulação de produtos irregulares no país.
Com informações de Agência Brasil
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