A Fundação do Câncer apresentou, nesta quinta-feira (8), a nova edição do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero. O material, lançado durante as ações do Janeiro Verde, orienta profissionais de saúde sobre a transição do tradicional exame de Papanicolau para o teste molecular de DNA-HPV na rede pública.
O primeiro guia havia sido publicado em 2022, focado em vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) e no rastreamento citológico. A versão 2026 incorpora mudanças implementadas principalmente em 2025, como a ampliação do público-alvo da vacina e a inclusão do teste de DNA-HPV no Sistema Único de Saúde (SUS).
Passe gradual para o DNA-HPV
Desde setembro de 2025, o Ministério da Saúde iniciou, de forma escalonada, a oferta do exame molecular em municípios de 12 estados. Outros 12 estados já negociam a adesão. Onde o novo método ainda não está disponível, continuam valendo as normas baseadas no Papanicolau.
O documento já segue as Novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Conitec, que preveem a substituição progressiva da citologia pelo DNA-HPV no SUS.
Diferenças entre os exames
Segundo o diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, o Papanicolau detecta alterações celulares já instaladas, enquanto o teste molecular identifica a presença do vírus oncogênico, permitindo intervenção mais precoce.
O público-alvo segue composto por mulheres de 25 a 64 anos. No novo protocolo, o intervalo entre exames passa de três para cinco anos quando o resultado é negativo, graças à maior sensibilidade do DNA-HPV. Em caso de positividade para os tipos 16 ou 18 — responsáveis por 70% dos casos — o encaminhamento para colposcopia é imediato.
Vacinação e metas da OMS
O Brasil aderiu à estratégia da Organização Mundial da Saúde para eliminar o câncer de colo do útero até 2030, que inclui vacinar 90% das meninas até 15 anos, rastrear 70% das mulheres com teste molecular e tratar 90% das pacientes com lesões.
A vacina quadrivalente contra o HPV, disponível no SUS desde 2014, é aplicada em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Grupos prioritários, como pessoas com HIV, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de violência sexual (9 a 45 anos) e usuários de PrEP, também têm direito à imunização gratuita.
Para mulheres de 20 a 45 anos, a vacina não integra o SUS e deve ser obtida na rede privada. Já profissionais do sexo ainda não estão contemplados, mas a Fundação do Câncer defende a futura inclusão desse grupo.
O guia reforça que, além do novo exame e da vacinação, o tratamento oportuno completa a estratégia de prevenção, garantindo que mulheres com lesões precursoras ou câncer recebam cuidado rápido e adequado.
Com informações de Agência Brasil
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