Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em 2025 indicam que os homens brasileiros vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres. O principal motivo, segundo o instituto, é a resistência masculina em procurar atendimento médico: apenas 31% deles foram a consultas no último ano, contra 75% do público feminino.
Diante desse cenário, o urologista e especialista em saúde do homem Breno Amaral defende um acompanhamento preventivo que vá além da avaliação da próstata. “A saúde masculina precisa ser encarada de forma integrada”, afirma o médico, ao destacar que consultas rápidas e focadas apenas no exame prostático contribuíram para afastar pacientes de um cuidado contínuo.
Amaral explica que a atuação do urologista envolve equilíbrio hormonal, fertilidade, desempenho sexual, sono, níveis de energia, hábitos de vida e doenças metabólicas. Para ele, consultas superficiais geram a falsa impressão de segurança quando o resultado de um exame pontual é normal, fazendo com que o paciente só retorne no ano seguinte.
O especialista reforça a importância de avaliações regulares mesmo na ausência de sintomas, já que muitas doenças evoluem de forma silenciosa e podem exigir tratamentos mais complexos quando diagnosticadas tardiamente.
Hormônios, longevidade e fertilidade
Queixas como cansaço constante, falta de disposição e queda do desejo sexual não devem ser encaradas como parte natural do envelhecimento. De acordo com Amaral, esses sinais podem estar ligados a baixa de testosterona, depressão, sedentarismo, alterações metabólicas ou disfunções da tireoide.
A avaliação hormonal, destaca o médico, deve seguir critérios científicos e evitar soluções simplificadas ou modismos difundidos nas redes sociais. “Queremos viver mais, mas também viver bem. Um homem de 65, 75 ou 80 anos deve buscar disposição, autonomia e uma vida sexual ativa dentro de suas condições de saúde”, ressalta.
A fertilidade masculina, frequentemente negligenciada, também merece atenção. Segundo o urologista, cerca de 50% dos casos de infertilidade apresentam fator masculino, isolado ou associado. A recomendação é que o casal busque avaliação médica após 12 meses de tentativas de gravidez sem sucesso. Sedentarismo, obesidade, tabagismo e uso de drogas interferem diretamente na qualidade reprodutiva.
Início do ano favorece mudanças
O começo do ano, período marcado por resoluções pessoais, é visto pelo especialista como oportunidade para colocar a saúde em dia. Amaral orienta que os homens iniciem acompanhamento individualizado o quanto antes. “O melhor momento para cuidar da saúde foi ontem; o segundo melhor é hoje”, afirma.
Formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com especialização em Urologia no Hospital Albert Einstein e aprimoramentos na França, Breno Amaral coordena o Andros Centro de Saúde do Homem, em Aracaju, onde oferece atendimento multidisciplinar focado em diagnóstico, prevenção e estética genital masculina.
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