Diferença de preços entre o mercado interno e a exportação atrai frigoríficos brasileiros. Iguaria é valorizada na Ásia por tradição culinária e textura única.
CUIABÁ, MT – A eficiência da pecuária brasileira em 2026 não se mede apenas pela qualidade do bife, mas pelo aproveitamento total do animal. Segundo o Instituto Mato-Grossense da Carne (IMAC), o vergalho bovino consolidou-se como um subproduto estratégico para aumentar a rentabilidade dos frigoríficos, alcançando valores impressionantes no exterior.
O Contraste de Valores
A diferença de preço entre o uso doméstico e a exportação explica o interesse do setor:
| Destino | Uso Comum | Preço Estimado |
| Mercado Brasileiro | Petisco para cães (mordedor) | R$ 21,00 / kg |
| Mercado Externo | Consumo humano (sopas/guisados) | US$ 6.000,00 / tonelada |
Exportar para as Planilhas
Nota: Na cotação atual, a tonelada exportada pode render quase 15 vezes mais do que a venda interna para o setor pet.
Por que a China importa tanto?
Diferente da cultura ocidental, muitos países asiáticos possuem uma tradição milenar de consumo integral do animal (“nose-to-tail”).
- Culinária: O vergalho é apreciado em cozidos e ensopados pela sua textura gelatinosa e alta capacidade de absorver o sabor de caldos e temperos.
- Volume: Empresas como a SulBeef relatam embarques regulares de até 5 toneladas mensais, demonstrando que não se trata de um mercado de nicho passageiro, mas consolidado.
Impacto na Cadeia Produtiva
Para Bruno de Jesus Andrade, diretor do IMAC, essa diversificação é um sinal de maturidade da pecuária de Mato Grosso:
- Redução de Desperdício: Partes que antes tinham baixo valor agregado agora geram receita em dólar.
- Competitividade: Ao vender o “animal inteiro” por preços altos, o setor consegue equilibrar custos e manter a robustez frente a outros competidores globais.
- Protocolos Rígidos: O produto é exportado in natura e segue os mesmos rigorosos padrões sanitários exigidos para os cortes nobres.
O Futuro das Exportações em 2026
Mesmo com as discussões sobre cotas de importação na China, o Brasil deve manter o volume de exportações de carne bovina em alta. A estratégia de oferecer um portfólio que vai do filé-mignon aos miúdos e subprodutos garante que o país atenda a diferentes perfis de consumo global, desde churrascarias europeias até mercados populares na Ásia.
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