O Banco Central (BC) determinou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliários, integrantes do conglomerado prudencial Pleno. A decisão foi anunciada em Brasília nesta quarta-feira (18).
Segundo o BC, o grupo é classificado no segmento S4 da regulação prudencial e tem o Banco Pleno como instituição líder. O conglomerado responde por 0,04% do ativo total e por 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Motivos e medidas
O Banco Central informou que a liquidação foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da liquidez, além de infrações às normas que regem a atividade e descumprimento de determinações da autoridade monetária. O BC também comunicou que outras medidas podem ser adotadas para apurar responsabilidades, incluindo sanções administrativas e remessa de informações às autoridades competentes.
Entre as providências previstas está a decretada indisponibilidade de bens de controladores e administradores do conglomerado Pleno, para assegurar eventuais ressarcimentos e garantir a integridade do processo em curso.
Relação com o Banco Master
O Banco Pleno — anteriormente chamado Banco Voiter — fez parte, até meados de 2025, do conglomerado do Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero. A investigação apura a concessão de créditos fraudulentos pelo Banco Master, incluindo tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), e aponta fraudes que podem alcançar R$ 17 bilhões.
O Banco Pleno é comandado por Augusto Ferreira Lima, que foi CEO e sócio do Banco Master. O BC incluiu, na lista de pessoas e empresas atingidas pela indisponibilidade de bens, as companhias NK 031 Empreendimentos e Participações; DV Holding Financeira; Master Holding Financeira; e 133 Investimentos e Participações.
Controladores e ex-administradores
A medida de indisponibilidade recai sobre controladores pessoas físicas identificados como Armando Miguel Gallo Neto, Augusto Ferreira Lima, Daniel Bueno Vorcaro e Felipe Wallace Simonsen. A ação também atinge ex-administradores, entre eles Angelo Antonio Ribeiro da Silva, Luiz Antonio Bull, Mauricio Antonio Quadrado, Renata Leme Borges dos Santos, Ronaldo Vieira Bento e Viviane Aparecida Rodrigues Afonso, além de Vorcaro e Augusto Ferreira Lima, que aparecem nas duas categorias.

Credores e garantia do FGC
Em comunicado ao mercado, o Banco Pleno informou ter uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis à garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), totalizando R$ 4,9 bilhões. Segundo o banco, os pagamentos serão realizados conforme as regras do FGC, com início dos procedimentos após o levantamento dos dados dos credores e o repasse dessas informações ao fundo.
O banco destacou que os créditos enquadrados no regulamento do FGC terão o processo de pagamento iniciado assim que os dados dos credores estiverem disponíveis. A garantia ordinária do FGC é limitada a R$ 250 mil. O Pleno recomendou que os credores utilizem o Aplicativo FGC para simplificar o pedido de pagamento, disponível nas lojas de aplicativos.
O Banco Pleno reiterou ainda que não integra o conglomerado Master, alegação que, segundo a instituição, reconfiguraria limites na regulamentação aplicável.
Matéria alterada às 10h57 (Brasília UTC-3) para acréscimo de informações. Matéria alterada às 11h14 para acréscimo de informações.
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