Senador apresenta pedido para investigar queda do conglomerado financeiro
O senador Rogério Carvalho (PT/SE) protocolou no Senado Federal um requerimento para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar irregularidades relacionadas ao Banco Master S/A e empresas ligadas ao grupo. A iniciativa visa investigar o que o parlamentar descreve como um dos maiores escândalos financeiros recentes no Brasil, que já atinge milhões de clientes e afetou o Sistema Financeiro Nacional.
A medida foi tomada após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master e de instituições associadas, citando graves violações das normas do sistema financeiro, uma crise de liquidez e indícios consideráveis de fraudes organizadas. As investigações da Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, apontam para práticas como emissão de títulos sem lastro, manipulação contábil, montagem de carteiras fictícias, uso de empresas de fachada e operações circulares entre fundos para criar a ilusão de patrimônio.
Segundo apurações, os prejuízos decorrentes do esquema podem superar R$ 12 bilhões. O colapso do conglomerado afeta diretamente aproximadamente 1,6 milhão de investidores e deve provocar o maior desembolso da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), estimado em R$ 41 bilhões — cerca de um terço do patrimônio do fundo.
Rogério Carvalho defende que a abertura da CPI permitirá ao Senado investigar com rigor e transparência os fatos e identificar responsáveis para eventual punição. Ele ressaltou que a proposta de investigação não tem a intenção de questionar decisões técnicas do Banco Central nem de interferir nas apurações conduzidas pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público, mas de exercer o papel de fiscalização do Legislativo sobre matéria de interesse público.
O requerimento já conta com 23 assinaturas de parlamentares; são necessárias mais quatro para que a CPI seja instalada. O senador pediu mobilização da sociedade para cobrar a adesão dos senadores restantes e acelerar a formalização da comissão.

Além da investigação, Carvalho defende avanços legislativos para evitar novas crises. Ele citou dois projetos em destaque: o PLP 281/2019, que propõe modernizar regimes de resolução de instituições financeiras com instrumentos como Regime de Estabilização (RE) e Regime de Liquidação Compulsória (RLC), fundos de resolução e mecanismos de “bail-in”; e o PL 2.926/2023, que atualiza o marco do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), reforçando a supervisão de infraestruturas de mercado, ampliando poderes do Banco Central e estabelecendo regras sobre garantias e compartilhamento de perdas.
Para o senador, a combinação entre uma investigação aprofundada e mudanças no arcabouço legal é necessária para corrigir falhas estruturais e reduzir o risco de incidentes semelhantes no futuro.
LEIA TAMBÉM
Receba as notícias no seu WhatsApp
Entre no nosso canal oficial e fique por dentro de tudo que acontece em Sergipe
Entrar no canal →

