A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado realizou, na terça-feira, 10, uma audiência para tratar do aliciamento de crianças e adolescentes por organizações criminosas. O encontro foi proposto pelo senador Rogério Carvalho (PT/SE), que convidou a juíza Vanessa Cavalieri, titular da Vara da Infância e Juventude do Rio de Janeiro, para prestar informações aos parlamentares.
Vanessa Cavalieri apresentou aos membros da CPI um panorama das táticas hoje utilizadas por facções para recrutar jovens, destacando o uso de jogos on-line, redes sociais e outras plataformas digitais como meios de abordagem e coação de adolescentes. A magistrada também apontou a necessidade de atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diante das novas dinâmicas no ambiente virtual.
Rogério Carvalho ressaltou a prevenção como uma das principais ferramentas para evitar que crianças e adolescentes sejam atraídos para a criminalidade. Segundo o senador, a carência de informação e de políticas públicas voltadas à formação dos jovens aumenta a vulnerabilidade de muitas famílias e favorece a atuação de facções.
O parlamentar mencionou dificuldades observadas em sua trajetória profissional na área da saúde para implementar ações como planejamento familiar e educação sexual nas escolas, que muitas vezes acabam sendo alvo de controvérsia ideológica, quando, na avaliação dele, serviriam como instrumentos de proteção a crianças e adolescentes.
Rogério também chamou atenção para os impactos da desigualdade social no processo de recrutamento. Ele afirmou que a exclusão, a falta de infraestrutura e de espaços de lazer nas periferias contribuem para criar ambiente propício à expansão de grupos criminosos. Por isso defendeu ampliação de investimentos em educação, creches e em turno integral nas escolas, medidas que, segundo ele, podem reduzir a entrada de jovens na criminalidade.
Na audiência, o senador rememorou experiências em políticas públicas de prevenção social, citando o programa Conte Comigo, lançado durante sua gestão pública para reforçar a presença do Estado nas comunidades e ampliar o papel das escolas na orientação juvenil. Ele comparou a iniciativa a ações de mobilização usadas no combate à AIDS nas décadas de 1980 e 1990.

Além da prevenção, a reunião abordou a necessidade de fortalecer programas de ressocialização e reintegração de jovens em conflito com a lei. Rogério afirmou que o sistema brasileiro ainda precisa avançar em reabilitação e em ações que restabeleçam vínculos sociais e afetivos rompidos por processos de cooptação e violência. Também avaliou que propostas como o chamado “ECA Digital” representam passos, mas são insuficientes frente às transformações do ambiente virtual.
Ao encerrar a audiência, o senador defendeu um debate qualificado e políticas públicas estruturadas, advertindo contra soluções simplistas para problemas complexos e lembrando que a faixa etária mais atingida pela violência no país é de 16 a 30 anos.
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