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A Fé em Tabuleiro do Chico.(por Antonio Samarone)

Em Itabaiana, a fé acompanhou a colonização. Fomos a Villa de Santo Antonio e Almas de Itabaiana, ou seja, uma Vila de franciscanos e beneditinos, ao pé da Serra. Almas é uma referência a São Miguel, padroeiro dos beneditinos. O topônimo Itabaiana é anterior a chegada dos portugueses. Itabaiana Grande é a serra, avistada por […]

19/04/2025 · 16h28
A Fé em Tabuleiro do Chico.(por Antonio Samarone)

Em Itabaiana, a fé acompanhou a colonização. Fomos a Villa de Santo Antonio e Almas de Itabaiana, ou seja, uma Vila de franciscanos e beneditinos, ao pé da Serra. Almas é uma referência a São Miguel, padroeiro dos beneditinos.

O topônimo Itabaiana é anterior a chegada dos portugueses. Itabaiana Grande é a serra, avistada por Américo Vespúcio, em 1501.

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Itabaiana é uma civilização de devotos. Na Semana Santa, três povoados, comunidades agrícolas, encenam a Paixão de Cristo: Tabuleiro do Chico, Mangabeira e Malhada Velha.

No Tabuleiro do Chico a encenação da Paixão de Cristo é um culto, um ritual religioso. São devotos, movidos pela fé. Na Mangabeira a encenação é cultural, um teatro ao ar livre, com direção artística, cenário, som, luz e figurinos profissionais. A inspiração dos participantes continua religiosa.

A Mangabeira e o Tabuleiro do Chico realizam a encenação da Paixão de Cristo de forma distinta: na primeira é culto e na segunda é cultura. Eu sei, culto e cultura se entrelaçam, mas são manifestações distintas.

No Tabuleiro do Chico, a encenação da Paixão de Cristo é uma festa religiosa, realizada com recursos teatrais. Na Mangabeira é uma encenação teatral, com inspiração religiosa. A primeira é um culto e a segunda cultura. As duas são realizações de leigos, iniciativa da coletividade.

Na Semana Santa a Igreja já possui festas, dentro dos seus rituais: domingo de ramos, lava pés, procissões do encontro, vias-sacras, fogaréus, sábado de aleluia e domingo de páscoa. São festas religiosas, comandadas pelo igreja católica.

Em Nova Jerusalém (cem mil metros quadrados), Pernambuco, a encenação da Paixão de Cristo é puro teatro, espetáculo com fins lucrativos, destinada à recreação de turistas. Por exemplo, o ator que representa Cristo, pode ser até um ateu.

Nas três formas de encenação da Paixão de Cristo: culto, cultura ou espetáculo comercial, o espectador vai majoritariamente em busca de entretenimento, distração, jeito mais comum em se utilizar o tempo livre, o ócio. Poucos vão contemplar.

A Capela Sagrado Coração de Jesus, do Tabuleiro do Chico, pertence à Paróquia de Jesus Misericordioso, comandada pelo competente Padre Josivaldo. A encenação é acompanhada de perto pela Igreja.

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Pode a cultura substituir a religião? Em minha infância passavam filmes sobre a Vida, Paixão e Morte de Jesus Cristo, cinema cheio em duas sessões. Parece que depois da “The Passion of the Christ”, de Mel Gibson, esse tipo de filme saiu de moda.

No teatro grego os heróis e os deuses eram satirizados pelos poetas, trovadores e teatrólogos.

A igreja católica foi a maior patrocinadora das artes. Os temas religiosos dominaram o renascimento. O teto da Capela Sistina é o maior exemplo. A música clássica surgiu dentro das sacristias das catedrais europeias.

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A arte se dissociou da fé, a partir do iluminismo. A insistência na evangelização teatral, é vista com certa desconfiança pela igreja tradicional. O catecismo é cartesiano, direto, dogmático. A arte é movida a símbolos, tolerante, diversa, dialética e conflitante.

Geralmente, a arte é uma atividade crítica. As religiões reveladas são por natureza dogmática.

Em 1989, Joãozinho Trinta levou a alegoria de um Cristo Mendigo para a passarela, com o enredo: “Ratos e Urubus, larguem a Minha Fantasia, da Beija-Flor. Foi a maior polêmica. A Igreja católica entrou na justiça para proibir.

Deixando de lado essas divagações teóricas, a encenação da Paixão de Cristo no Tabuleiro do Chico é uma manifestação de devoção, autonomia e criatividade de pessoas simples. Uma forma de agradecimento a Deus pela vida.

Palmas, para a comunidade do Tabuleiro do Chico, que se esforça para apresentar aos visitantes uma manifestação criativa de fé e beleza.

Antonio Samarone. Secretário de Cultura de Itabaiana.

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Em Itabaiana, a fé acompanhou a colonização. Fomos a Villa de Santo Antonio e Almas de Itabaiana, ou seja, uma Vila de franciscanos e beneditinos, ao pé da Serra. Almas é uma referência a São Miguel, padroeiro dos beneditinos.

O topônimo Itabaiana é anterior a chegada dos portugueses. Itabaiana Grande é a serra, avistada por Américo Vespúcio, em 1501.

Itabaiana é uma civilização de devotos. Na Semana Santa, três povoados, comunidades agrícolas, encenam a Paixão de Cristo: Tabuleiro do Chico, Mangabeira e Malhada Velha.

No Tabuleiro do Chico a encenação da Paixão de Cristo é um culto, um ritual religioso. São devotos, movidos pela fé. Na Mangabeira a encenação é cultural, um teatro ao ar livre, com direção artística, cenário, som, luz e figurinos profissionais. A inspiração dos participantes continua religiosa.

A Mangabeira e o Tabuleiro do Chico realizam a encenação da Paixão de Cristo de forma distinta: na primeira é culto e na segunda é cultura. Eu sei, culto e cultura se entrelaçam, mas são manifestações distintas.

No Tabuleiro do Chico, a encenação da Paixão de Cristo é uma festa religiosa, realizada com recursos teatrais. Na Mangabeira é uma encenação teatral, com inspiração religiosa. A primeira é um culto e a segunda cultura. As duas são realizações de leigos, iniciativa da coletividade.

Na Semana Santa a Igreja já possui festas, dentro dos seus rituais: domingo de ramos, lava pés, procissões do encontro, vias-sacras, fogaréus, sábado de aleluia e domingo de páscoa. São festas religiosas, comandadas pelo igreja católica.

Em Nova Jerusalém (cem mil metros quadrados), Pernambuco, a encenação da Paixão de Cristo é puro teatro, espetáculo com fins lucrativos, destinada à recreação de turistas. Por exemplo, o ator que representa Cristo, pode ser até um ateu.

Nas três formas de encenação da Paixão de Cristo: culto, cultura ou espetáculo comercial, o espectador vai majoritariamente em busca de entretenimento, distração, jeito mais comum em se utilizar o tempo livre, o ócio. Poucos vão contemplar.

A Capela Sagrado Coração de Jesus, do Tabuleiro do Chico, pertence à Paróquia de Jesus Misericordioso, comandada pelo competente Padre Josivaldo. A encenação é acompanhada de perto pela Igreja.

Pode a cultura substituir a religião? Em minha infância passavam filmes sobre a Vida, Paixão e Morte de Jesus Cristo, cinema cheio em duas sessões. Parece que depois da “The Passion of the Christ”, de Mel Gibson, esse tipo de filme saiu de moda.

No teatro grego os heróis e os deuses eram satirizados pelos poetas, trovadores e teatrólogos.

A igreja católica foi a maior patrocinadora das artes. Os temas religiosos dominaram o renascimento. O teto da Capela Sistina é o maior exemplo. A música clássica surgiu dentro das sacristias das catedrais europeias.

A arte se dissociou da fé, a partir do iluminismo. A insistência na evangelização teatral, é vista com certa desconfiança pela igreja tradicional. O catecismo é cartesiano, direto, dogmático. A arte é movida a símbolos, tolerante, diversa, dialética e conflitante.

Geralmente, a arte é uma atividade crítica. As religiões reveladas são por natureza dogmática.

Em 1989, Joãozinho Trinta levou a alegoria de um Cristo Mendigo para a passarela, com o enredo: “Ratos e Urubus, larguem a Minha Fantasia, da Beija-Flor. Foi a maior polêmica. A Igreja católica entrou na justiça para proibir.

Deixando de lado essas divagações teóricas, a encenação da Paixão de Cristo no Tabuleiro do Chico é uma manifestação de devoção, autonomia e criatividade de pessoas simples. Uma forma de agradecimento a Deus pela vida.

Palmas, para a comunidade do Tabuleiro do Chico, que se esforça para apresentar aos visitantes uma manifestação criativa de fé e beleza.

Antonio Samarone. Secretário de Cultura de Itabaiana.

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