Faz 1.616 anos, hoje, que Roma caiu. O fim do grande império, contudo deixou marcas, não só nas leis e na língua que falamos; mas até como construímos nossas cidades, com uma praça central. A praça do poder.

Primeiro, a Casa de Câmara e Cadeia ficou sem a Cadeia, no processo de Independência do Brasil. Em 1835, a Cadeia já funcionava em separada da Câmara de Vereadores ou Conselheiros Municipais.
Segundo, saiu a Câmara, em 1969, retornando exatamente 20 anos depois.



Em terceiro, saiu o Fórum. O Poder Judiciário. Em 1988.
E por fim, nos últimos dois anos, os cartórios de 1º e 2º ofícios. No ano que passou, foi a vez do 1º Ofício; neste ano o também velho 2º Ofício deixou a praça do poder clássico no mundo latino.
Apenas o simbólico prédio da Alcaidaria, Intendência ou Prefeitura, permanece no lugar. E a sede da instituição mãe de tudo: a Matriz de Santo Antônio e Almas de Itabaiana.

Os cartórios de 1º e 2º ofícios, embaixo, instituídos por D. Pedro II (de Portugal), em 16 de junho de 1700, são as últimas defecções do poder na Praça do Poder, nos últimos dois anos, agora só restando a Prefeitura e matriz de Santo Antônio, sem mais o poder de antigamente.

Instituição romana

O apogeu do Império Romano, conquanto tenha dado a Roma o imenso poder, trouxe-lhe também responsabilidades.
Um monte de novas cidades surgiu onde nada existia, enquanto outras, pré-existentes, foram reconstruídas, seguindo sempre um modelo padrão, ao menos na sua origem.
Roma caiu em 25 de agosto de 410, hoje faz 1.616 anos; e pelos próximos três séculos seu império foi saqueado por todo tipo de bandido. Dos que aspiravam a ser rei, aos reles assaltantes. O modelo de cidade, com uma praça, um fórum central entrou em decadência, substituído pelo modelo fortificado, com torres, muros e fossos e ponte.
Mas nas fraldas do que foi o Império Romano, um novo poder, mais civilizado, e forte militarmente foi se impondo: o mundo muçulmano, que dominou a península ibérica, mantendo à sua maneira o modelito de praça central com ruas ao redor, ligadas à praça por travessas estreitas.

Assim nasceu a cidade de Santo Antônio de Itabaiana.
Mesmo que esse padrão não logo tenha se confirmado.
A Rua da Vitória, hoje General Siqueira, somente foi aberta entre a Tobias Barreto e Largo Santo Antônio da década de 1910.
A Rua das Flores, na parte que é hoje a Barão do Rio Branco, e a 13 de Maio, são do final do século XIX.
Das ruas de proteção à Praça do Poder, ou Praça Maior, somente o Rua do Sol, atualmente General Valadão se materializou com o nascimento da cidade.
E obviamente, todas as travessas de ligação das ruas à praça.
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