Migrantes marroquinos em Ceuta protestaram neste domingo (16) em uma praia urbana do território espanhol. Com cartazes e bandeiras, cobraram o direito de solicitar asilo na Espanha.
Centenas de migrantes marroquinos que chegaram recentemente a Ceuta, território espanhol no norte da África, se reuniram em uma praia urbana da cidade para reivindicar o direito de pedir asilo e uma solução para a situação em que se encontram.
Milhares permanecem no enclave
Os manifestantes estão entre os milhares de migrantes que seguem em Ceuta após uma entrada em massa no território há cerca de duas semanas. A estimativa é de que entre 5 mil e 8 mil pessoas ainda estejam no enclave, depois que a maioria dos que chegaram retornou voluntariamente ao Marrocos nos dias seguintes.
Com os recursos locais sobrecarregados, muitos passaram a viver em condições precárias na praia de El Trampolín e em áreas nos arredores da cidade, enquanto aguardam a chance de seguir para a Espanha continental.
Cartazes e palavras de ordem
Durante o protesto, os migrantes exibiram cartazes com mensagens como “Não queremos voltar para o Marrocos”, “Também somos humanos” e “Asilo”. Alguns carregavam bandeiras espanholas e uma faixa que dizia: “Somos marroquinos, queremos que vocês abram o asilo para os migrantes, não queremos retornar”.
Em espanhol, o grupo entoou palavras de ordem como “Queremos trabalhar, não roubar” e “Não queremos voltar. O que queremos? Asilo!”.
Relatos de quem atravessou a nado
Hicham Chikir, de 25 anos, natural de Ksar el-Kebir, contou que chegou à Espanha nadando e está há 25 dias no país. “Estamos esperando o asilo, porque pessoas de outros países que estão aqui conseguem asilo. Por que apenas os marroquinos não podem conseguir asilo? Por que apenas os marroquinos? Que culpa nós temos?”, questionou.
Chikir afirmou que a maioria dos migrantes quer trabalhar. “Tudo o que queremos é uma solução, trabalhar. Todos querem trabalhar. Se alguém for ruim, a polícia pode mandá-lo de volta para o Marrocos”, disse.
Ayoub Elarroud, de 24 anos, natural de Tetuão, também chegou a Ceuta nadando e está há 17 dias no território espanhol. Segundo ele, muitos marroquinos deixam o país por dificuldades econômicas e falta de oportunidades, apesar de haver pessoas qualificadas entre os migrantes. “Temos problemas e situações ruins em nosso país. Há muitos talentos em nosso país que foram perdidos”, afirmou.
Elarroud relatou ainda as condições no enclave. “Estamos realmente sofrendo. Estamos dormindo perto do mar, com frio e mau cheiro. Estamos sofrendo muito. A polícia não nos deixa ir ao centro da cidade. Eles sempre nos expulsam de lá.” Ele acrescentou que os migrantes arriscaram a vida na travessia para o território espanhol.
Posição do governo espanhol
No início da semana, o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que os migrantes que entraram irregularmente em Ceuta não teriam permissão para permanecer no enclave, viajar para a Espanha continental ou obter status legal, salvo em casos excepcionais de extrema vulnerabilidade.
Rotina na praia
A manifestação ocorreu enquanto os migrantes permaneciam nas proximidades da praia. Nas áreas rochosas, alguns lavavam roupas e outros pescavam com varas improvisadas de bambu. Participantes agradeceram aos moradores de Ceuta pelo apoio e disseram querer apenas trabalhar. Com cartazes pedindo asilo, o grupo seguiu pressionando as autoridades espanholas por uma solução para sua permanência na cidade.
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