O governo brasileiro confirmou nesta terça-feira (24) que o acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) começará a valer em 1º de maio de 2026. A entrada em vigor dependerá da conclusão dos trâmites internos e da formalização das notificações entre as partes.
Em nota conjunta, os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), das Relações Exteriores e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informaram que, em 18 de março, o Brasil comunicou à Comissão Europeia a conclusão do processo interno de ratificação do acordo. A resposta da União Europeia foi enviada em 24 de março, atendendo às exigências previstas no texto para o início da vigência provisória.
Na semana anterior, o Congresso Nacional promulgou o acordo, mas ainda faltam procedimentos formais para sua incorporação definitiva ao ordenamento jurídico. Segundo a nota dos ministérios, o decreto de promulgação — ato final necessário para tornar o tratado obrigatório no país — encontra-se em fase avançada de tramitação.
Integração
Após mais de duas décadas de negociações, o governo considera o acordo um dos principais projetos de integração econômica do Brasil. A administração federal espera que o tratado aumente o acesso de empresas brasileiras a um dos maiores mercados do mundo e contribua para crescimento econômico.
O comunicado oficial ressalta que o governo manterá esforços coordenados com os demais Estados-Partes do Mercosul e com a União Europeia para que a aplicação do acordo resulte em geração de empregos, crescimento econômico e desenvolvimento sustentável.
Impactos
Com a vigência provisória, o texto prevê medidas que devem influenciar o comércio bilateral, entre as quais:
- redução gradual de tarifas;
- eliminação de barreiras comerciais;
- maior previsibilidade regulatória.
O acordo tem potencial para favorecer exportações brasileiras, atrair investimentos, integrar o país a cadeias globais de valor e ampliar a oferta de produtos europeus no mercado interno.
Resistências
Apesar do avanço, o acordo enfrenta oposição em parte da Europa. Em 23 de março, a UE anunciou que aplicaria provisoriamente o tratado a partir de 1º de maio, mas países como França — com o apoio de Polônia, Irlanda e Áustria — manifestaram preocupação com possíveis efeitos negativos sobre o setor agrícola europe
u. O presidente francês, Emmanuel Macron, criticou a aceleração da aplicação provisória, e grupos de agricultores e ambientalistas se posicionaram contra o tratado. Em contrapartida, Alemanha e Espanha apoiam o acordo por verem oportunidades comerciais e estratégicas.
O texto também está sob exame no Tribunal de Justiça da União Europeia, etapa que pode adiar a entrada em vigor definitiva caso sejam identificadas incompatibilidades com as normas do bloco.
Com informações de Agência Brasil
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