As exportações de móveis do Rio Grande do Sul passaram por uma significativa mudança em seu principal destino internacional, após o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Entre janeiro e maio de 2026, a América Latina assumiu a liderança nas compras do setor, destacando-se países como Uruguai, Peru, Chile, México e Argentina. O mercado norte-americano, que anteriormente era o principal importador, caiu para a sexta posição, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
A alteração no cenário das exportações ocorreu após a elevação das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos em agosto de 2025, o que reduziu a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. Os fabricantes gaúchos, por sua vez, intensificaram suas operações em países da América Latina, beneficiados pela proximidade geográfica e perspectivas de ampliação de acordos comerciais.
Dados da Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) indicam que o Brasil abriga mais de 20 mil indústrias do setor, empregando cerca de 250 mil trabalhadores e movimentando bilhões de reais anualmente. O Rio Grande do Sul se destaca como o principal polo produtor e exportador de móveis do país.
“Nenhum empresário tira o pé dos Estados Unidos por conta própria, a não ser que aconteça uma situação como essa”, afirma Cleberton Ferri, diretor internacional do Sindmóveis (Sindicato das Indústrias de Móveis de Bento Gonçalves).
Os dados demonstram a velocidade dessa mudança. Em 2024, os Estados Unidos eram responsáveis por 16,8% das exportações gaúchas de móveis, ocupando a primeira posição entre os destinos internacionais. Em 2025, a participação caiu para 11,7%, o que fez o país perder a liderança para o Uruguai. Nos cinco primeiros meses de 2026, a fatia caiu ainda mais, atingindo 6,8%.
Por outro lado, a América Latina respondeu por 69,9% das exportações gaúchas em 2024, passando para 76,2% em 2025 e alcançando 82,5% entre janeiro e maio deste ano. O Uruguai lidera as compras no período, com importações de US$ 17 milhões em móveis produzidos no Rio Grande do Sul, superando o volume negociado com os Estados Unidos no mesmo intervalo.
A Argentina, que havia perdido participação nos últimos anos devido a restrições comerciais e instabilidade econômica, também voltou a demonstrar interesse pelos móveis brasileiros. Os exportadores brasileiros estão se preparando para o evento Movelsul Brasil, que será realizado em Bento Gonçalves nos próximos dias. Este evento é uma das principais feiras de móveis, colchões e estofados da América Latina.
O setor tem se adaptado para atender às demandas dos consumidores latino-americanos, especialmente nas dimensões dos produtos, que levam em consideração as diferenças de metragem das residências e o perfil das famílias. O design brasileiro, no entanto, já goza de boa aceitação nesses mercados.
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