Aracaju (SE) — A Patrulha Maria da Penha (PMP), serviço da Polícia Municipal de Aracaju voltado à proteção de mulheres com medidas protetivas de urgência, completa seis anos sem registrar casos de reincidência de violência entre as assistidas.
O programa acompanha atualmente 48 mulheres, monitorando cada etapa da rotina delas para evitar situações de risco. Segundo a coordenadora da PMP, subinspetora Sabrina Smith, o reforço das ações preventivas foi determinante para os resultados.
Reforço operacional em números
No período mais recente, houve aumento de 137% nas ações preventivas, 33% no número de visitas e 16% no total de mulheres protegidas. “Não temos reincidência porque nossa atuação vai além do cumprimento formal da medida judicial; construímos vínculo e orientamos sobre os riscos”, afirmou Sabrina.
Funcionamento do serviço
Mulheres em situação de vulnerabilidade extrema são encaminhadas pelos juizados de violência doméstica. Após visita de adesão, elas passam a integrar a rota de rondas. “Se a vítima vai trabalhar, levar filhos à escola ou frequentar a igreja, seguimos essa rotina para impedir qualquer brecha ao agressor”, detalhou a coordenadora.
Diariamente, estudantes de Direito realizam contatos telefônicos em todos os turnos para verificar possíveis violações. Caso o agressor entre em contato, a patrulha orienta a vítima a registrar novo boletim de ocorrência e solicitar a prisão do infrator.
Tecnologia e expansão
A Polícia Municipal prepara a implantação da Sala Lilás Virtual, que permitirá ampliar o atendimento simultâneo. A iniciativa faz parte de ações para intensificar a proteção após Aracaju registrar cinco feminicídios em 2025, três deles somente em dezembro.
Rede de apoio
As vítimas podem recorrer aos telefones 153 (Polícia Municipal) e 190 (Polícia Militar), ao Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), à Secretaria Municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres (SerMulher), ao Ministério Público, às DAGVs e ao portal da Secretaria de Estado da Segurança Pública.
Parcerias institucionais
Em maio de 2025, o Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) e a Prefeitura de Aracaju renovaram o convênio que mantém a patrulha. O TJSE, por meio da Coordenadoria da Mulher, ofereceu capacitação sobre violência de gênero aos agentes da Polícia Municipal. Na mesma época, a prefeita Emília Corrêa e a juíza Juliana Nogueira discutiram a expansão do acompanhamento e a criação de grupos reflexivos de prevenção.
Além das rondas, a equipe também realiza palestras em espaços públicos e privados. “Trabalhamos a prevenção diariamente para quebrar o ciclo da violência doméstica”, disse o subinspetor Denisson Souza.
Com informações de FaxAju
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