Após não chegar ao segundo turno em Aracaju em 2024, ex-governador rompeu com a base, apoiou Valmir em 2026 e amargou derrota emblemática em sua principal base política.
O ex-governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, enfrenta um momento delicado em sua trajetória. O resultado das urnas no último domingo consolidou uma sequência de reveses eleitorais expressivos para a liderança política nos dois últimos pleitos.
A maré de resultados desfavoráveis teve início nas eleições municipais de 2024. Na ocasião, antes de romper com o agrupamento governista estadual, Belivaldo disputou o cargo de vice-prefeito de Aracaju na chapa encabeçada pela deputada federal Yandra Moura. A dupla não conseguiu avançar para o segundo turno, terminando a disputa na terceira colocação, com 43.932 votos (14,47% dos votos válidos).
O rompimento e a derrota de 2026
Após a derrota na capital, o cenário político estadual passou por reconfigurações que culminaram no rompimento político de Belivaldo com o grupo do atual governador, Fábio Mitidieri.
Para a disputa ao Governo do Estado em 2026, o ex-governador se aliou à oposição e passou a ser um dos principais articuladores e apoiadores da candidatura de Valmir de Francisquinho. Para chancelar a aliança, sua filha, Priscila Felizola, integrou a chapa majoritária como candidata a vice-governadora.
No entanto, a estratégia não surtiu o efeito desejado nas urnas. O governador Fábio Mitidieri garantiu a reeleição ainda no primeiro turno, conquistando 59,27% dos votos válidos em Sergipe, enquanto a chapa encabeçada por Valmir de Francisquinho terminou na segunda colocação, com 37,48%.
O simbolismo de Simão Dias
Mais do que a derrota no cômputo geral do estado, o golpe mais duro para o capital político de Belivaldo Chagas veio de seu próprio quintal: o município de Simão Dias.
Fortemente ligado à trajetória de Belivaldo — e com a adesão de diversas lideranças locais ao grupo de Valmir durante a campanha —, o reduto simão-diense não acompanhou a indicação do ex-governador. Fábio Mitidieri venceu a eleição no município, impondo uma diferença de mais de 2,5 mil votos sobre o candidato da oposição.
O resultado em Simão Dias adicionou um peso simbólico inegável ao cenário político de 2026. A perda de hegemonia na cidade onde construiu parte fundamental de sua história política consolida o momento de desgaste, marcando a segunda eleição consecutiva em que as articulações de Belivaldo Chagas não encontram respaldo majoritário nas urnas.
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