O Estreito de Ormuz enfrenta um novo desafio devido ao acúmulo de cracas, mexilhões, amêijoas e algas em grandes petroleiros que estão ancorados na região. O fenômeno, resultado de meses de bloqueio, gera a necessidade urgente de limpeza das embarcações para que possam retomar suas rotas.
Derek Hamm, da Obsessive Compulsive Divers, destacou a gravidade da situação: “Quatro meses? Nossa. É tempo mais do que suficiente para um monte de coisas nojentas se acumularem.” A bioincrustação, como é chamada a vida marinha que se fixa nos cascos dos navios, se tornou um entrave significativo para o transporte de petróleo.
Os petroleiros ancorados não conseguem seguir viagem até que toda a incrustação seja removida, o que complica ainda mais o restabelecimento do fluxo de petróleo mundial, já afetado por meses de conflitos na região.
“No mundo marítimo, isso não é tão estranho assim”, afirmou Hamm, um limpador de casco profissional.
Com mais de 600 navios aguardando para atravessar o estreito, equipes de mergulhadores enfrentam a tarefa de limpar cada embarcação. Os superpetroleiros, que medem mais de 1.000 pés de comprimento, necessitam de um trabalho intensivo, com equipes de cinco a seis mergulhadores passando de quatro a cinco horas utilizando raspadores manuais e lavadoras de alta pressão.
Brian McCauley, proprietário de uma empresa de limpeza de fundos marinhos, informou que, apesar de o trabalho ser simples, as dimensões dos navios dificultam a ação de mergulhadores individuais. “O trabalho é simples e não é complicado, mas esses navios são grandes demais para mergulhadores individuais”, comentou.
O uso de lanças para raspar a incrustação é comum, mas quando ela se torna resistente, como as cracas, são necessárias lixadeiras elétricas e limpadores de alta pressão. Os limpadores de casco devem também ter cuidado para não danificar a pintura especial dos navios, pois isso pode acarretar problemas regulatórios e danos financeiros.
Os custos para a limpeza têm aumentado, com equipes cobrando valores na casa dos cinco dígitos por navio, conforme explicou Aron Sørensen, diretor de meio ambiente da BIMCO. A eficiência dos navios é prejudicada pela bioincrustação, resultando em maiores despesas operacionais, especialmente em longas distâncias, como do Oriente Médio até a Ásia ou Austrália.
“O combustível representa cerca de 50% das despesas de um navio”, afirmou Neil Roberts, especialista do setor marítimo.
As normas marítimas exigem que as embarcações removam cracas e outras incrustações biológicas antes de chegarem ao porto. Além disso, a presença de espécies invasoras entre as cracas pode causar danos aos ecossistemas marinhos, o que reforça a importância da limpeza adequada dos navios.
Embora a limpeza do fundo do navio seja apenas uma das etapas necessárias, é crucial para garantir a eficiência e a conformidade regulatória das embarcações que operam no comércio marítimo.
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