O país ocupa agora o 65º lugar entre 70 economias, ao lado de Nigéria e Venezuela. Juros altos e falhas na educação pesam contra a competitividade nacional.
A queda do Brasil no Ranking Mundial de Competitividade de 2026 reflete desafios estruturais persistentes, como o elevado custo para fazer negócios, as altas taxas de juros e deficiências na educação, segundo especialistas.
O país caiu sete posições e passou a ocupar a 65ª colocação entre 70 economias avaliadas, registrando seu pior desempenho dos últimos anos. O resultado coloca o Brasil ao lado de economias como Nigéria, Mongólia e Venezuela. O Ranking Mundial de Competitividade 2026 é elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral.
De acordo com Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, o custo de se fazer negócios no Brasil é um dos principais desafios, dificultando a operação tanto de indústrias quanto de empresas nascentes.
“O custo de capital é um limitador ao crescimento”, afirma Tadeu, referindo-se à formação bruta de capital fixo, onde indústrias que pretendem investir para ampliar sua capacidade produtiva enfrentam dificuldades.
O aumento do endividamento corporativo também foi destacado como um sinal de alerta. As empresas têm recorrido cada vez mais a dívidas para sustentar suas estratégias de expansão. Apesar dos resultados negativos, Tadeu enfatiza que o relatório não deve ser interpretado de forma pessimista.
“Essa análise deve servir como ponto de partida para identificar quais medidas o Brasil precisa adotar para avançar na agenda de competitividade”, sugere o especialista.
Em entrevista ao CNN Money, a conselheira do Corecon-SP, Carla Beni, afirmou que a queda reflete problemas estruturais. Ela citou o elevado custo do capital, as altas taxas de juros e as dificuldades para investir como fatores que impactam diretamente a competitividade do país. Beni também mencionou obstáculos históricos, como a barreira linguística, uma vez que o Brasil é um país de língua portuguesa em um ambiente predominantemente anglófono.
O relatório indica piora nos quatro pilares avaliados: desempenho econômico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura. Beni destaca que a trajetória recente da taxa Selic ajuda a explicar parte desse cenário. Durante a pandemia, a taxa básica de juros chegou a 2% ao ano, mas subiu para 13,5% em apenas 18 meses.
Esse aumento forçou as empresas a renegociar suas dívidas, resultando em maior endividamento e inadimplência, o que afeta diretamente a capacidade de investimento do setor produtivo. A especialista também alerta para o peso do serviço da dívida pública nas contas do governo, onde cerca de 46% do orçamento federal é destinado ao pagamento de juros e amortizações da dívida, enquanto apenas 0,3% vai para ciência e tecnologia.
Apesar do desempenho negativo no ranking, o Brasil ainda apresenta vantagens competitivas, como a capacidade de atrair investimento estrangeiro, o potencial em energias renováveis e a boa colocação no quesito subsídios públicos, onde ocupa a quinta posição. Beni também ressalta os avanços na educação financeira, que agora integra o currículo de escolas públicas e privadas, com a expectativa de que essa mudança contribua para uma população mais preparada financeiramente e gere impactos positivos sobre a competitividade do país nos próximos anos.
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