Com mais de 1 milhão de clientes ativos, o Brasil lidera o uso corporativo da Starlink. Agronegócio, mineração e logística já tratam a conexão via satélite como essencial para não parar.
Setores estratégicos como agronegócio, mineração e logística começaram a tratar a conectividade via satélite de baixa órbita (LEO) como uma garantia de continuidade operacional. Essa mudança traz um custo de referência concreto: o preço de ficar offline. Andréia Rosa, especialista de produtos e vendas da Deutsche Telekom Global Business Solutions no Brasil, detalhou esse cenário em um podcast recente.
O Brasil já ultrapassou a marca de 1 milhão de clientes ativos da Starlink, tornando-se o segundo maior mercado da empresa no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Apesar disso, de acordo com o Indicador de Conectividade Rural (ICR) da ConectarAGRO, apenas 33,9% das áreas agrícolas tinham cobertura 4G ou 5G em 2025, o que significa que dois terços das lavouras ainda não possuem redes terrestres.
“A gente sai de um cenário onde não se discute tanto quantos megabytes eu tenho para quanto custa se a minha operação parar”, disse Rosa.
Ela destacou que perdas mensuráveis, como um trator parado, uma frota fora de monitoramento ou uma venda interrompida, passaram a definir o quanto uma empresa investe em conectividade.
Rosa também ressaltou que tratar o satélite como substituto da fibra óptica ou do 5G é um equívoco comum no setor. “Isso é fake news”, afirmou. A tendência, segundo ela, é a adoção de uma “arquitetura híbrida da conectividade”, onde a fibra oferece alta capacidade com baixa latência, 4G e 5G garantem mobilidade, e o satélite cobre áreas onde as demais tecnologias não alcançam ou serve como redundância em áreas urbanas.
Outro erro prático é tentar usar a antena em ambientes internos sem a arquitetura adequada. A antena precisa de visibilidade direta para o céu. Quando utilizada em ambientes internos sem essa adaptação, o desempenho prometido não se concretiza.
O preço é um ponto de atrito significativo no segmento corporativo. A antena Starlink residencial tem um custo em torno de R$ 900, com planos mensais que variam de R$ 190 a R$ 300. Já no segmento empresarial, a antena custa entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, com planos que ficam entre R$ 700 e R$ 800 mensais. Essa diferença se deve à rede prioritária, suporte e garantia de disponibilidade de 99,9%.
Um exemplo prático do impacto da conectividade ocorreu durante uma etapa da Copa Truck, realizada em uma região agrícola. 98% dos boxes sofreram queda de internet durante a transmissão ao vivo, enquanto os únicos que mantiveram a conexão estavam em planos enterprise. A interrupção, segundo Rosa, teve duração de 12 segundos.
No início das operações da Starlink no Brasil, muitas empresas contrataram o serviço utilizando CPF. Agora, a migração para contratos corporativos está em andamento, o que envolve adequação de compliance. Para pequenas e médias empresas, o custo do plano enterprise ainda representa uma barreira concreta.
A Deutsche Telekom Global Business Solutions já opera nesse modelo no Brasil e um dos projetos em andamento conecta quase mil tratores no agronegócio, com 60% a 70% da cobertura sendo feita por satélite.
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