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Aracaju, Quinta-feira, 16 de julho de 2026
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Brasil pode negociar terras raras com EUA após tarifa de 25%, diz ex-OMC

Internacional

Brasil pode negociar terras raras com EUA após tarifa de 25%, diz ex-OMC

Roberto Azevêdo, ex-OMC, afirma que Brasil deve negociar terras raras com EUA após tarifaço.

16/07/2026 · 00h00 · Atualizado às 20h14
Brasil pode negociar terras raras com EUA após tarifa de 25%, diz ex-OMC

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Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), avaliou que o Brasil possui um ativo importante nas negociações com os Estados Unidos, especialmente após a confirmação de um tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros. Em uma análise, Azevêdo destacou que as terras raras podem ser a principal moeda de troca do país nesse processo.

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O ex-dirigente da OMC explicou que sua abordagem em negociações comerciais se baseia em um princípio fundamental: antes de definir o que deseja, é essencial compreender o que a outra parte almeja.

"Só na hora em que eu entendo o que eu posso oferecer para ele é que eu vou poder calcular, equilibrar o que eu quero para mim", afirmou.

Para ele, a negociação não deve ser encarada como uma capitulação total, mas sim como uma troca equilibrada em que ambas as partes possam se beneficiar. Azevêdo relatou que, durante conversas em Washington, recebeu uma mensagem clara de interlocutores americanos:

"Os Estados Unidos querem do Brasil hoje uma coisa, terras raras. O resto é perfumaria."

Segundo Azevêdo, essa sinalização representa uma oportunidade concreta de negociação que o Brasil ainda não teria utilizado de forma adequada.

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No entanto, ele ponderou que a postura brasileira de rejeitar qualquer negociação envolvendo terras raras ignora limitações reais do país.

"Qual é a sua capacidade de impor essas coisas quando o Brasil não tem capacidade de processamento? Não tem os compradores fechados porque o preço precisa ser acordado antes", questionou.

Azevêdo destacou que alcançar um preço competitivo é especialmente desafiador, já que empresas chinesas praticam dumping para afastar novos concorrentes do mercado. Apesar dessas dificuldades, ele vê um cenário de ganhos mútuos, onde os Estados Unidos poderiam diminuir sua dependência da China para o fornecimento desses minerais estratégicos, enquanto o Brasil teria a chance de atrair investimentos e tecnologia para desenvolver sua capacidade de processamento e refinamento das terras raras.

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"Nós poderíamos fechar contratos de fornecimento de longo prazo desses produtos para uma indústria que precisa desse material e está disposta a pagar", disse.

Azevêdo também mencionou que qualquer acordo bem-sucedido com os americanos deve considerar o perfil do negociador.

"Se você quer ter uma negociação com o presidente Donald Trump, ele tem que ver a vitória também. Você vai ter que ganhar o seu, mas ele vai ter que ver a dele também. Ele quer a manchete", afirmou.

O ex-dirigente da OMC ressaltou que nada impede que ambas as partes saiam vencedoras de um possível acordo. No entanto, ele alertou que o contexto eleitoral pode complicar o cálculo diplomático e estratégico necessário, e que o Brasil precisa evitar essa armadilha para avançar nas negociações.

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Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), avaliou que o Brasil possui um ativo importante nas negociações com os Estados Unidos, especialmente após a confirmação de um tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros. Em uma análise, Azevêdo destacou que as terras raras podem ser a principal moeda de troca do país nesse processo.

O ex-dirigente da OMC explicou que sua abordagem em negociações comerciais se baseia em um princípio fundamental: antes de definir o que deseja, é essencial compreender o que a outra parte almeja.

"Só na hora em que eu entendo o que eu posso oferecer para ele é que eu vou poder calcular, equilibrar o que eu quero para mim", afirmou.

Para ele, a negociação não deve ser encarada como uma capitulação total, mas sim como uma troca equilibrada em que ambas as partes possam se beneficiar. Azevêdo relatou que, durante conversas em Washington, recebeu uma mensagem clara de interlocutores americanos:

"Os Estados Unidos querem do Brasil hoje uma coisa, terras raras. O resto é perfumaria."

Segundo Azevêdo, essa sinalização representa uma oportunidade concreta de negociação que o Brasil ainda não teria utilizado de forma adequada.

No entanto, ele ponderou que a postura brasileira de rejeitar qualquer negociação envolvendo terras raras ignora limitações reais do país.

"Qual é a sua capacidade de impor essas coisas quando o Brasil não tem capacidade de processamento? Não tem os compradores fechados porque o preço precisa ser acordado antes", questionou.

Azevêdo destacou que alcançar um preço competitivo é especialmente desafiador, já que empresas chinesas praticam dumping para afastar novos concorrentes do mercado. Apesar dessas dificuldades, ele vê um cenário de ganhos mútuos, onde os Estados Unidos poderiam diminuir sua dependência da China para o fornecimento desses minerais estratégicos, enquanto o Brasil teria a chance de atrair investimentos e tecnologia para desenvolver sua capacidade de processamento e refinamento das terras raras.

"Nós poderíamos fechar contratos de fornecimento de longo prazo desses produtos para uma indústria que precisa desse material e está disposta a pagar", disse.

Azevêdo também mencionou que qualquer acordo bem-sucedido com os americanos deve considerar o perfil do negociador.

"Se você quer ter uma negociação com o presidente Donald Trump, ele tem que ver a vitória também. Você vai ter que ganhar o seu, mas ele vai ter que ver a dele também. Ele quer a manchete", afirmou.

O ex-dirigente da OMC ressaltou que nada impede que ambas as partes saiam vencedoras de um possível acordo. No entanto, ele alertou que o contexto eleitoral pode complicar o cálculo diplomático e estratégico necessário, e que o Brasil precisa evitar essa armadilha para avançar nas negociações.

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