O país dá um passo histórico no setor elétrico com seu primeiro leilão de baterias. Especialista do CBIE adverte: sem visão crítica, expectativa pode virar frustração.
No dia 20 de junho de 2026, o programa Infra em 1 Minuto, em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), apresenta um novo episódio focado nas baterias e sua importância na matriz elétrica do Brasil. O especialista em óleo e gás, Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, analisa o primeiro leilão de baterias do país, destacando os desafios que a tecnologia enfrenta para se integrar sem depender de subsídios.
Rodrigues ressalta que, embora a expectativa em torno do leilão seja válida, é necessário manter uma visão crítica para evitar que a esperança se transforme em desilusão. Ele observa que as baterias têm uma capacidade prática limitada, fornecendo energia por um tempo restrito e necessitando de recarga através de fontes geradoras.
“Quanto mais baterias a gente instala, mais geração precisa atrás delas,”
afirma o especialista, que também cita exemplos dos Estados Unidos. Em 2025, o país atingiu um recorde histórico em armazenamento, com quase 60 GWh (gigawatts-hora) instalados, o que, no entanto, representa apenas 2% de toda a capacidade de geração existente.
Rodrigues argumenta que as baterias não foram projetadas para substituir a geração de energia, mas para complementar a capacidade já existente no sistema. Ele critica a falta de discussão no Brasil sobre a criação de um mercado real para a tecnologia de armazenamento.
Atualmente, segundo Rodrigues, os consumidores que possuem geração solar não têm incentivos para armazenar energia durante o dia para utilização à noite, já que as tarifas são as mesmas em qualquer horário. Ele sugere a implementação de um sistema de preços horários, onde a energia seria mais barata durante os períodos de alta geração solar e mais cara nos picos de demanda.
“Com preço horário, armazenar deixa de ser obrigação de portaria e vira escolha econômica. É o mercado dando o sinal que nenhum subsídio consegue dar,”
completa Rodrigues. Para ele, os incentivos financeiros baseados na dinâmica de oferta e demanda são essenciais para a viabilidade do sistema a longo prazo. Ele finaliza afirmando que as baterias não podem substituir a geração firme e que o preço é o principal indicador de quando utilizá-las.
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