A afirmação foi feita por Sergio Díaz-Granados, presidente do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF)
Os impostos comerciais implementados pela administração de Donald Trump tiveram um efeito menos significativo nas economias da América Latina do que o originalmente projetado. A afirmação foi feita por Sergio Díaz-Granados, presidente do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF).
Dezenas de economias a nível global foram confrontadas com essas tarifas como parte da política comercial imposta pelo então presidente dos EUA. Vários especialistas alertaram que tais medidas poderiam restringir o comércio internacional, elevando o custo das exportações para a maior economia do mundo. No entanto, segundo Díaz-Granados, o panorama atual é mais encorajador.
“Se observarmos o período de janeiro até o momento, o impacto tem sido menor do que o esperado. É evidente que, inicialmente, gerou-se uma forte turbulência, mas agora as perspectivas tornam-se cada vez mais claras”, declarou ele na sexta-feira.
Esse efeito moderado é explicado pelo fato de que as redes comerciais entre os Estados Unidos e os países da América Latina “já estavam muito bem estabelecidas”. Isso ajudou as regiões a se adaptarem às novas condições. Além disso, as negociações que vários países latino-americanos realizaram com Washington após o anúncio das tarifas também contribuíram para amortecer o impacto.
“A América Latina possui certas vantagens comparativas no mercado estadunidense: a proximidade geográfica e um conjunto de laços muito sólidos, que vão desde a presença de comunidades da região na população dos EUA até a participação de empresas americanas como investidoras”, ressaltou o presidente do CAF.
Apesar dos sinais positivos, a região continua a enfrentar problemas estruturais. Segundo estimativas do CAF, em 2026, o crescimento médio das economias da América Latina e Caribe será de aproximadamente 3,2%, três décimos abaixo da média global projetada.
Sergio Díaz-Granados lamentou que, devido aos baixos fluxos de investimento, à fraca produtividade e aos problemas de segurança, a região tenha registrado um crescimento econômico inferior à média global na última década. Em suas palavras, os países latino-americanos necessitam crescer mais de 4% para começar a reduzir estruturalmente as disparidades de pobreza e desigualdade.
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