Uma das perguntas mais frequentes nos consultórios de cirurgia plástica é se o procedimento realmente melhora a autoestima. A resposta não é simples: a cirurgia pode ajudar, mas não resolve todos os problemas ligados à percepção que a pessoa tem de si mesma.
É fundamental compreender a diferença entre corrigir uma característica física que causa desconforto e esperar que uma operação transforme por completo a forma como alguém se enxerga. A experiência clínica mostra que a cirurgia plástica tende a ser mais eficaz quando existe uma queixa física específica e realista.
A autoestima é influenciada por diversos fatores, como a saúde emocional, as experiências de vida e os relacionamentos. Uma intervenção cirúrgica pode contribuir para uma relação melhor com o próprio corpo, mas não é capaz de resolver questões mais profundas relacionadas ao valor pessoal e à autoimagem.
O impacto positivo costuma aparecer quando há uma queixa física concreta, como o excesso de pele após emagrecimento. Já a expectativa de que mudar o corpo trará felicidade exige uma reflexão mais cuidadosa.
Pacientes que convivem com desconfortos persistentes, ligados ao contorno corporal ou aos efeitos do envelhecimento, muitas vezes procuram a cirurgia para se sentir mais confortáveis com a própria imagem. Ainda assim, o procedimento não deve ser encarado como solução para inseguranças ou problemas emocionais.
Sinais de alerta antes do bisturi
Quando o paciente concentra toda a sua insatisfação em uma única característica física, surgem sinais de alerta. Se o desejo de operar está associado à expectativa de resolver questões como rejeição ou solidão, é essencial uma conversa prévia para compreender as motivações por trás dessa escolha.
A insatisfação também pode se tornar um ciclo vicioso: depois de corrigir um aspecto, a pessoa encontra outro “defeito” a ser ajustado, e assim por diante. Para evitar esse caminho, é importante que o paciente avalie sua relação com o corpo e com a aparência.
A avaliação emocional é decisiva antes de qualquer procedimento. A cirurgia modifica o corpo, mas a leitura do resultado acontece na mente do paciente. Por isso, é preciso entender não apenas o que se deseja mudar, mas também as expectativas associadas a essa mudança.
Quando a expectativa é incompatível com o que a cirurgia pode oferecer, recomenda-se uma conversa franca. Em algumas situações, o acompanhamento psicológico pode ser mais benéfico do que a operação. Isso não significa que o paciente esteja impedido de operar no futuro, e sim que é necessário cuidar primeiro de questões que vão além da estética.
De modo geral, a cirurgia plástica pode melhorar a autoestima, sobretudo quando há indicação correta e expectativas realistas. O papel do cirurgião é avaliar, explicar possibilidades e limites e, se necessário, recusar um procedimento que não atenderá ao que o paciente espera.
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