Em 2025, um vídeo que circulou nas redes sociais da comandante de Boeing 737, Tatiana Mônico, se tornou viral. A gravação mostrava sua colega, a comandante Gabriela Duarte, prestando uma homenagem a Tatiana diante dos passageiros antes do voo de apresentação, durante a cerimônia simbólica das quatro faixas, onde um piloto é condecorado como comandante.
No vídeo, Tatiana Mônico, que possui 40 anos e é bacharel em Ciências Aeronáuticas, destacou que a empresa em que trabalhava contava com 13 comandantes e 55 mulheres pilotos. Esse dado gerou uma reflexão sobre a participação feminina na aviação.
Com mais de 20 anos de experiência na aviação, Tatiana enfrentou desafios significativos para acumular as horas de voo exigidas pelas companhias aéreas, etapa que considera a mais difícil para as mulheres no setor. Para isso, ela voou por anos na aviação geral, especialmente em Tocantins.
Em uma entrevista, Tatiana relatou que muitos proprietários de escolas de aviação e empresas de voo privado evitavam contratar mulheres para não desagradar suas esposas. Como resultado, ela levou sete anos entre a conclusão da faculdade e a entrada em uma companhia aérea.
Dentro das companhias, a promoção a comandante é determinada pela antiguidade, e Tatiana esperou quase dez anos por sua vez, um processo que foi adiado em cinco anos devido à pandemia. Ela já pilota o Boeing 737 há 15 anos, sendo comandante nos últimos anos.
“Acredito que somos poucas mulheres piloto mais por opção da mulher”, diz Tatiana.
Segundo Tatiana, não houve discriminação salarial ou de tratamento nas companhias aéreas, uma vez que a remuneração se baseia em critérios objetivos, como horas ou quilômetros voados. A promoção a comandante depende de desempenho em treinamentos e simuladores.
Entretanto, ela aponta que o maior obstáculo para as mulheres é a conciliação entre a rotina de trabalho e a maternidade. “Vem de mim, não da sociedade”, afirma, refletindo sobre as abdicações necessárias na carreira.
O caminho para se tornar piloto é longo e custoso, variando entre R$ 80.000 e R$ 300.000, dependendo da escola de aviação e das horas exigidas. Além disso, mulheres no Brasil recebem, em média, 79% do salário dos homens, conforme dados do IBGE, e essa diferença é ainda maior nas áreas de ciências, onde cai para 63,3%.
Esses fatores contribuem para a baixa presença feminina na profissão. Apesar disso, Tatiana Mônico mantém a esperança: “Lugar de mulher é no cockpit. É onde quiser”, afirma.
Atualmente, as mulheres representam apenas 3,76% dos pilotos brasileiros. Entre 2005 e 2026, foram expedidas 29.359 licenças, das quais 96,24% foram concedidas a homens. Hoje, há 1.105 mulheres habilitadas a voar para companhias aéreas, com apenas 235 atuando nas três principais empresas do país.
Embora o número de mulheres pilotos tenha crescido, a proporção permanece quase inalterada nas últimas duas décadas, abaixo da média global de 4%. Comparativamente, a Índia possui 15% de mulheres entre os seus pilotos, enquanto nos Estados Unidos esse percentual é de 10,3%.




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