A ideia de que exportar é uma exclusividade de grandes indústrias e empresas está ultrapassada. Com a recente assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, as oportunidades para pequenos negócios alcançarem novos mercados e aumentarem suas vendas estão em expansão. Um exemplo disso é a Itália, onde as exportações são majoritariamente compostas por empresas de pequeno porte.
O acordo entrou em vigor de forma provisória no dia 1º de maio, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. O tratado elimina imediatamente as tarifas de importação de mais de 5 mil produtos brasileiros, com reduções graduais que ocorrerão ao longo de até 15 anos para o bloco sul-americano.
“Numa era de protecionismo, o acordo é a vitória do diálogo e do multilateralismo. E vai abrir oportunidades, propiciando maior integração das cadeias produtivas”, afirmou o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante o evento ‘Conexões Produtivas: oportunidades para a indústria no acordo Mercosul-União Europeia’, promovido em São Paulo (SP).
Geraldo Alckmin reforçou a importância do diálogo entre nações e a necessidade de um ambiente multilateral favorável.
De acordo com Tatiana Prazeres, Secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), atualmente, 72% das exportações brasileiras para a União Europeia se concentram em apenas cinco países, mesmo com o bloco sendo composto por 27 nações.
“É um acordo histórico e, para a sua implementação, há muitos atores envolvidos. Ele exige capacitação, inteligência e apoio ao exportador brasileiro. E o Sebrae tem um papel muito importante”, diz Tatiana.
Com isso em mente, o Sebrae trabalha em parceria com a Apex e o MDIC para preparar pequenos empreendedores para a exportação. “Pequenos negócios raramente nascem globais, o desafio de exportar é ainda maior, pois vai além de tarifas. É um ajuste de competitividade adequando-se aos padrões globais”, avaliou Vinícius Lages, gerente da assessoria internacional do Sebrae.
Paulo Henrique Rodrigues Pereira, Ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, destacou que os desafios enfrentados pelos pequenos empresários não se limitam às tarifas, mas incluem também questões sanitárias e regulatórias. “É importante que pequenos e micro possam exportar cada vez mais. O incentivo vai sofisticar as empresas brasileiras”, afirmou.
“Brasilidade vende”, destacou Roberto Rosa, diretor de compras e vendas internacionais da empresa Sogenave, ao comentar sobre a importância da redução ou isenção de tarifas em produtos brasileiros para acessar mercados competitivos como o europeu.
Entretanto, destacou Aloysio Nunes Ferreira, head de assuntos estratégicos da ApexBrasil na União Europeia, a adequação às exigências regulatórias do bloco europeu é fundamental. “Exportamos de sandálias havaianas a aeronaves. Diversificação é uma necessidade.”
Ele lembrou que as negociações que resultaram no acordo começaram há 25 anos, impulsionadas pela preocupação da UE em não perder espaço na América Latina com a chegada de produtos chineses. Do lado brasileiro, havia receios quanto à internacionalização da economia.
O Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, também enfatizou que empresas impactadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos já estão acessando novos mercados e terão ainda mais oportunidades com o apoio da Apex. “Esse acordo é fantástico, nossa expectativa para os próximos 12 meses é bastante positiva”, declarou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.

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