Flávio Dino determinou que o material bruto apreendido em junho na investigação sobre suposto desvio de emendas para o filme seja entregue à Polícia Federal. As evidências foram extraídas de celulares dos investigados.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, neste domingo (13), a quebra do sigilo de todo o material apreendido pela polícia de São Paulo nas investigações sobre o suposto desvio de emendas parlamentares para o financiamento do filme Dark Horse, uma dramatização da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na decisão, Dino ordenou à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo que encaminhasse à Polícia Federal todo o material bruto extraído dos celulares dos investigados e apreendido pela Polícia Civil do estado no mês de junho. A perícia desse material havia ficado a cargo dos órgãos de segurança estaduais.
Ao fundamentar a medida, o ministro fez referência a decisão recente de outro membro do STF, citada como precedente para sua própria determinação. Em 1° de setembro, houve decisão que retirou o sigilo de conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e atualmente preso, e o ministro Alexandre de Moraes.
“Considero assim haver viragem jurisprudencial em curso, a qual devo me adaptar, em homenagem ao princípio da colegialidade”, disse Dino em sua decisão.
“Com isso, creio que estou a zelar pela igualdade de todos perante a lei, já que todos os mencionados nos mesmos autos ou em autos paralelos, mas em idênticas situações, devem receber o mesmo tratamento, desde a abertura das investigações”, acrescentou o ministro.
Dino defendeu na decisão que todas as investigações devam ter “ampla publicidade”, incluindo nomes, dados financeiros, contas e fundos movimentados, conversas em WhatsApp e outros indícios constantes dos autos.
Na última quinta-feira (10), Dino autorizou a Operação Make Up, quando a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. Entre os alvos da operação estavam o deputado federal Mário Frias, ex-secretário da Cultura do governo Jair Bolsonaro e um dos roteiristas da cinebiografia, e a empresária Karina Gama.
O ministro é relator de inquérito aberto a partir de relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) que apontaram irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas de Mário Frias para duas entidades registradas em nome de Karina Gama — o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
Segundo os achados da CGU, houve destinação de emendas para projetos sociais esportivos tocados pelo ICB na cidade paulista de Pirassununga, mas a efetiva execução desses projetos não foi comprovada. A Polícia Federal apontou indícios de que os recursos teriam sido destinados à produção do filme Dark Horse.
A assessoria do deputado Mário Frias ainda não havia respondido ao pedido de posicionamento. Também houve tentativa de contato com Karina Gama.
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