Levantamento da Zeeng (16/07) aponta que no 1º semestre de 2026 a direita ocupou 55 dos 100 perfis mais influentes no Instagram. O estudo indica maior adaptação digital da direita frente a centros e esquerdas.
No primeiro semestre de 2026, políticos de direita ocuparam 55 das 100 posições mais influentes no Instagram, conforme levantamento da empresa de pesquisas Zeeng, divulgado em 16 de julho. Os dados indicam uma maior familiaridade deste grupo com as plataformas digitais, em contraste com as dificuldades enfrentadas por centros e esquerdas em eleições anteriores.
O estudo revelou que a direita, que inclui também políticos de centro-direita, somou 21 nomes no ranking de influência, enquanto a esquerda teve apenas 11 representantes. O centro foi representado por 8 políticos e a centro-esquerda contou com 5. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) liderou o ranking, e o PL se destacou ao ter 8 políticos no top 10. A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) foi a única da esquerda a figurar entre os mais influentes, juntamente com Carlos Bezerra Jr. (PSD), do centro.
A Zeeng analisou 546 mil publicações em 3,1 mil perfis de políticos brasileiros, contabilizando 2,4 bilhões de interações em posts orgânicos de feed, entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026. É importante ressaltar que os stories não foram incluídos nos cálculos. A empresa utilizou a Instagram Graph API, a API oficial da Meta, para extrair os dados.
A metodologia para definir a posição ideológica dos políticos envolveu pesquisas em diversos portais e comparações com estudos anteriores. O levantamento concluiu que a dominância da direita reflete a eficácia desses líderes em utilizar linguagens diretas e narrativas polarizadas, o que potencializa a mobilização e fortalece vínculos ideológicos nas redes sociais.
“A influência política no Instagram, portanto, se mostra altamente concentrada em torno de grupos que melhor dominam o jogo digital”, aponta o estudo.
A pesquisa também destaca que a disputa por atenção nas redes sociais se tornou crucial para o sucesso eleitoral. A direita tem utilizado as redes para “espetacularizar” a política, enfatizando a mobilização de sentimentos negativos e simplificação das informações, como explica Paula Vieira, pesquisadora do Lepem (Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia) da UFC.
Ela compara a estratégia da direita à atuação de igrejas evangélicas, que utilizam recursos visuais e sonoros para manter a atenção do público. Nos últimos anos, a entrada de novas figuras na política se deslocou do carisma de atores e apresentadores para influenciadores digitais, que utilizam sensacionalismo para aumentar o engajamento.
“Uma vez que a mensagem atinge milhões de pessoas, é difícil reverter o dano”, afirma Paula Vieira.
A Zeeng, que monitora perfis desde 2017, analisa mais de 25 mil contas, incluindo 3,1 mil de detentores de mandato em diversos níveis. O ranking é calculado de forma automatizada, sem seleção editorial, garantindo que todos os perfis sejam considerados na análise.

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