Cristiane Bispo, moradora da Serra do Machado, ensina receitas e compartilha sua história de superação para inspirar geração de renda entre mulheres na Escola Municipal Dr. Carvalho Neto.
Transformar açúcar, dedicação e técnica em uma fonte real de renda familiar é a principal proposta da oficina gratuita de doces artesanais que acontece nesta quinta (16) e sexta-feira (17) na Escola Municipal Doutor Carvalho Neto, localizada em Aracaju. A capacitação prática é conduzida pela culinarista e microempreendedora Cristiane Bispo, natural do povoado Serra do Machado, em Ribeirópolis, e reúne mães e familiares de alunos da unidade de ensino.
Durante os dois dias de imersão gastronômica, as participantes aprenderão o passo a passo e os segredos de vendas de receitas tradicionais e de grande apelo comercial, como bala baiana, cocada cremosa e pé de moça. A iniciativa é promovida pelo Instituto JCPM de Compromisso Social (IJCPM) e aproveita o período de férias escolares para transformar a cozinha da escola em um polo de qualificação.
Do salão de beleza para as panelas: Uma história de superação
Muito além de ensinar técnicas culinárias, Cristiane Bispo utiliza o espaço para compartilhar a própria trajetória de resiliência. Em 2019, após sofrer um grave acidente que a impossibilitou de continuar exercendo a profissão de cabeleireira, ela encontrou na confeitaria uma nova perspectiva de vida.
O que começou despretensiosamente como uma produção de doces para os familiares logo chamou a atenção de vizinhos e moradores da comunidade, transformando-se em um negócio sob encomenda.
- O divisor de águas: Em 2022, Cristiane participou da feira de economia criativa Serra do Machado Feita à Mão, realizada pela Fundação Pedro Paes Mendonça (FPPM);
- A conquista: Com o faturamento e a visibilidade obtidos no evento, a doceira estruturou sua própria confeitaria artesanal na garagem de sua residência, onde centraliza as vendas até hoje.
Apoio materno e o poder do empreendedorismo feminino
Reconhecendo a dupla jornada e os desafios enfrentados pelas mães, a ação foi planejada de forma acolhedora: enquanto as mulheres se qualificam na cozinha, seus filhos permanecem na escola participando de atividades recreativas e lúdicas supervisionadas.
De acordo com o Instituto JCPM, levar os cursos diretamente aos bairros descentraliza o conhecimento e viabiliza a participação de mulheres que, muitas vezes, são impedidas de estudar devido aos custos com transporte ou pela falta de rede de apoio para o cuidado com as crianças.
O impacto social em números:
- Mais da metade dos lares no Brasil são chefiados e sustentados por mulheres, segundo dados do FGV IBRE;
- Em Sergipe, o Censo do IBGE aponta que cerca de 136,7 mil mulheres criam seus filhos de forma solo;
- Somente em 2025, o Brasil registrou a abertura de mais de 2 milhões de empresas lideradas por mulheres, com o setor de alimentação e confeitarias caseiras liderando as estatísticas de microempreendedorismo de baixa renda.
A oficina na capital sergipana reforça como a união entre a responsabilidade social corporativa e o talento comunitário pode abrir portas para a autonomia financeira de dezenas de famílias.
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