Entidades e especialistas do setor educacional avaliaram como um avanço o novo Plano Nacional de Educação (PNE), assinado na terça-feira (14) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para representantes de fundações, instituições financeiras e associações do setor, o documento reafirma a prioridade da educação no país, mas terá seu impacto definido pela qualidade da implementação.
Felipe Proto, vice-presidente de educação da Fundação Lemann, afirmou que a promulgação do plano marca um momento relevante para a educação brasileira e que o PNE recupera a ambição de longo prazo para o setor. Segundo ele, o desafio agora é transformar as metas estabelecidas em aprendizagem efetiva e em ações que diminuam as desigualdades regionais e sociais.
Proto ressaltou a necessidade de coordenação entre os entes federativos e do oferecimento de apoio técnico e financeiro a estados e municípios para que as metas previstas se concretizem de maneira equitativa em todo o país.
Eixo estratégico na educação profissional
Diogo Jamra, gerente de Articulação, Advocacy, Monitoramento e Avaliação do Itaú Educação e Trabalho, destacou que o plano consolida a educação profissional e tecnológica como um eixo estratégico da política pública educacional. Jamra observou que, além da expansão do acesso, o PNE inclui metas de qualidade para acompanhar esse processo.
Ele avaliou como desafiadora, porém viável, a meta de que 50% dos estudantes do ensino médio estejam matriculados em cursos integrados à educação profissional. Para alcançar esse patamar, Jamra apontou que será necessário um esforço coordenado entre União, estados e municípios, bem como investimentos voltados à qualificação e requalificação profissional.
Em meio às transformações provocadas pela digitalização e à crise ambiental, Jamra afirmou que a formação contínua se torna cada vez mais importante, inclusive para profissionais que já concluíram cursos técnicos ou superiores. Ele elogiou a inclusão no plano da criação de um Sistema Nacional de Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica, que deve estabelecer padrões de aprendizagem, critérios de conclusão em idade adequada e metas de resultados ao término das formações.
Direção, inovação e execução
Tiago Bossi, presidente da Associação Brasileira de Sistema de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), considerou o PNE uma iniciativa de vanguarda por detalhar metas mais claras, com ênfase em qualidade, educação digital e ensino em tempo integral. Bossi disse que o plano aponta para a direção correta e reforça a necessidade de aumento gradual dos investimentos na educação pública.
Ele também destacou que temas como inteligência artificial e personalização do ensino precisam ser debatidos de forma alinhada às demandas contemporâneas. Para Bossi, o principal desafio será a execução do plano, que depende de colaboração entre os diferentes atores do sistema educacional e de maior abertura à inovação.
O novo PNE, portanto, foi recebido por diferentes setores como um marco por estabelecer prioridades e metas claras, ao mesmo tempo em que coloca ênfase na coordenação e na qualidade da implementação para que os objetivos sejam atingidos.
Com informações de Agência Brasil
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