Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) mantiveram a ocupação do prédio da Reitoria nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, e exigem que a administração, chefiada pelo reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado, reabra negociações sobre demandas apontadas pelos alunos. O grupo afirma que a reitoria encerrou unilateralmente as conversas durante a semana, sem atender a reivindicações consideradas essenciais.
A mobilização, iniciada na noite de quinta-feira (7), reúne estudantes que reivindicam a ampliação do valor pago pelo Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), melhorias nas moradias estudantis do Conjunto Residencial da USP (CRUSP) e a correção de problemas nos restaurantes universitários, os chamados bandejões.
Representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) apontam a precarização das condições de inclusão e permanência como motivo central da ocupação. Segundo relatos, o CRUSP sofre com falta de água e presença de mofo nos apartamentos. Nos bandejões, os alunos relatam episódios frequentes de insegurança alimentar, incluindo fornecimento de alimentos estragados e, em alguns casos, refeições com larvas.
O estudante de Jornalismo e membro do DCE, Guilherme Farpa, afirmou que a reitoria propôs na semana anterior um aumento de R$ 27 no benefício integral do PAPFE e de R$ 5 para quem recebe parcela reduzida. Atualmente, o auxílio integral é de R$ 885 e o parcial é de R$ 320; os alunos consideram esses incrementos insuficientes diante do custo de vida nas regiões onde há campi, como o Butantã.
Os estudantes também destacam que a USP teria um orçamento estimado em cerca de R$ 9 bilhões para 2026 e lembram a aprovação, em março, de uma bonificação de R$ 240 milhões para professores. A partir desses dados, questionam por que recursos não seriam direcionados para as demandas estudantis.
Outro lado
Em nota, a Reitoria informou que lamenta a escalada de violência que resultou na invasão do prédio principal, com danos ao patrimônio público. A administração afirmou ter acionado as forças de segurança pública, já presentes no local, para impedir a ocupação de outros espaços e evitar novos prejuízos.
A reitoria acrescentou que, antes da ocupação ocorrida no dia 5 de maio, vinha mantendo reuniões com representantes estudantis desde 14 de abril, totalizando aproximadamente 20 horas de diálogo, e disse que foram alcançados avanços em benefício de estudantes de todos os campi.
Os ocupantes afirmam que só irão encerrar a ação quando a Reitoria aceitar retomar as negociações.
Com informações de Agência Brasil
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