Leandro Garcia trabalhou três anos na casa de praia do ex-dono do Banco Master e relatou pressões do grupo 'A Turma'. Depoimento foi revelado pelo STF em junho de 2026.
Um ex-chef de cozinha, Leandro Garcia, que trabalhou por quase três anos para Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, relatou à Polícia Federal (PF) ter sofrido ameaças de um integrante do grupo conhecido como “A Turma”, que atuava em nome do banqueiro. O depoimento foi disponibilizado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), em 18 de junho de 2026.
Garcia, que atuou na casa de praia de Vorcaro em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, de setembro de 2021 a março de 2024, descreveu uma relação distante com o ex-banqueiro. Segundo ele, as comunicações eram mediadas por um mordomo, que passava as demandas do empresário.
O ex-chef decidiu deixar o emprego para assumir uma posição em um hotel que oferecia plano de saúde, pois planejava realizar uma cirurgia. Foi nesse novo trabalho que ele sofreu a ameaça que relatou à PF. Ao final de um expediente, um grupo de pelo menos seis pessoas o abordou. Um dos homens, que se apresentou como Manoel, alegou que “mexia com o jogo” e questionou Garcia sobre o telefone da esposa de Vorcaro e se ele possuía gravações ou vídeos de sua época na casa do empresário.
Ao responder negativamente, Garcia ouviu Manoel mencionar que possuía informações sobre sua vida pessoal, exibindo envelopes com documentos e detalhes sobre seu veículo. Ele também notou a presença de Sicário, um capanga de Vorcaro que se suicidou após ser preso na operação Compliance Zero, embora este não tenha falado durante o encontro.
“Entendi o recado. Ele falou: ‘A gente não quer voltar aqui pra te atrapalhar’. Perguntou se eu morava ali perto… eu tenho minha esposa, minha filha de 15 anos”, relatou Garcia.
Além disso, o ex-chef afirmou que os funcionários da casa de praia eram orientados a não registrar a rotina da residência. Segundo ele, havia um temor de que fossem tiradas fotos ou feitas gravações, sendo solicitado que os empregados mantivessem seus celulares fora de uso.
A investigação da PF já havia identificado a estrutura de “A Turma”, suspeita de atuar em intimidações e vigilância de adversários, além de acessar informações sigilosas de processos judiciais em andamento, supostamente a serviço de Vorcaro. Mensagens obtidas nos celulares apreendidos mostram conversas entre Vorcaro e Sicário, onde o banqueiro solicita que “vão pra cima” do chef de cozinha e de um capitão de barco.
O capitão Luis Felipe Woyceichoski, responsável pelo iate exclusivo onde Vorcaro realizava festas, também denunciou ameaças de morte após relatar os danos causados na embarcação. Ele descreveu a abordagem de Manoel como intimidatória, mencionando que sabia detalhes sobre sua vida pessoal.
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