Higiene inadequada, armazenamento incorreto e hábitos comuns no preparo contribuem para contaminações e problemas de saúde
Náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais e febre estão entre os sinais mais frequentes das Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs), que podem se manifestar poucas horas após o consumo de alimentos contaminados ou até dias depois, a depender do agente causador. Em situações mais severas, esses quadros podem evoluir para desidratação grave, infecções generalizadas e outras complicações que exigem atendimento médico, sobretudo em crianças, idosos, gestantes e pessoas com baixa imunidade.
De acordo com a nutricionista e professora da Universidade Tiradentes (Unit), Carla Souza, esse tipo de ocorrência está fortemente relacionado à ausência de cuidados sanitários no ambiente doméstico. “Grande parte dos surtos acontece dentro de casa, já que o nível de controle sanitário é menor em comparação aos estabelecimentos regulamentados. A falta de treinamento em boas práticas, falhas na higiene, armazenamento inadequado e controle insuficiente de temperatura favorecem a multiplicação de microrganismos patogênicos. Além disso, muitos casos leves não são notificados, o que torna os surtos domésticos mais frequentes, embora menos registrados oficialmente”, explica.
A familiaridade com a rotina doméstica acaba criando uma falsa sensação de segurança durante o preparo dos alimentos, o que contribui para a negligência de cuidados essenciais. Segundo Carla Souza, essa percepção influencia diretamente os hábitos cotidianos. “O manuseio de alimentos em casa costuma ocorrer sob uma ideia equivocada de segurança, baseada na familiaridade com o ambiente e com os alimentos consumidos. Essa ‘zona de conforto’ diminui a adesão a práticas seguras, como a higienização correta das mãos, o controle de temperatura e a prevenção da contaminação cruzada, que são exigidas em serviços de alimentação”, destaca.
Erros comuns na cozinha
Entre os principais problemas identificados nas cozinhas brasileiras estão práticas aparentemente simples, mas que impactam diretamente a segurança alimentar. A especialista aponta falhas frequentes como “lavagem inadequada das mãos, uso de panos de prato contaminados em vez de papel descartável, manipulação simultânea de alimentos crus e prontos, higienização inadequada de superfícies e utensílios, armazenamento incorreto na geladeira, descongelamento em temperatura ambiente e limpeza insuficiente de frutas e hortaliças”, explica.
Um costume bastante comum, que é lavar carnes antes do preparo, pode, na verdade, aumentar os riscos de contaminação. Carla Souza alerta que essa prática não é indicada. “Lavar carnes não é recomendado e pode elevar o risco de contaminação. Esse hábito favorece a dispersão de microrganismos, como Salmonella spp. e Campylobacter spp., por meio de respingos na pia, em superfícies e utensílios, causando contaminação cruzada. O cozimento adequado é a única forma eficaz de eliminar esses patógenos”, afirma.
Higienização correta de frutas e verduras
Outro ponto de atenção é a limpeza inadequada de alimentos consumidos crus, como frutas, verduras e legumes. Segundo a nutricionista, é necessário seguir etapas específicas para garantir a segurança. “O procedimento correto inclui a lavagem em água corrente para retirada de sujeiras visíveis, seguida da imersão em solução clorada por 10 a 15 minutos e, por fim, o enxágue em água potável. Esse processo reduz significativamente a presença de microrganismos, incluindo patógenos e parasitas”, orienta.
A forma de armazenamento dos alimentos também influencia diretamente na ocorrência de DTAs. Temperaturas inadequadas e organização incorreta da geladeira estão entre os problemas mais comuns. “Entre os erros mais frequentes estão: geladeira acima de 5 °C, armazenamento de alimentos crus junto a alimentos prontos, falta de vedação adequada, excesso de itens que prejudica a circulação de ar frio, armazenamento prolongado de sobras e desrespeito ao prazo de validade após a abertura”, destaca.
Descongelar alimentos fora da geladeira é outra prática que favorece a multiplicação de bactérias, colocando o alimento em uma faixa de temperatura propícia à contaminação. “Quando o descongelamento ocorre em temperatura ambiente, o alimento entra na chamada ‘zona de perigo’, entre 5 °C e 60 °C, ideal para a rápida proliferação de bactérias. O correto é descongelar sob refrigeração, no micro-ondas para consumo imediato ou em água corrente fria”, explica.
Além disso, evitar a contaminação cruzada é fundamental durante o preparo. A especialista ressalta que medidas simples podem prevenir problemas. “Separar alimentos crus dos prontos, utilizar utensílios diferentes ou higienizá-los entre usos, lavar as mãos com frequência, limpar superfícies com produtos adequados e armazenar carnes cruas em recipientes fechados na parte inferior da geladeira”, orienta.
Alimentos crus ou mal cozidos exigem atenção
O consumo de carnes mal passadas ou ovos crus também representa um risco importante à saúde, especialmente para grupos mais vulneráveis. Carla destaca que esses alimentos podem conter microrganismos nocivos. “Eles podem transportar patógenos como Salmonella spp., Escherichia coli e Campylobacter spp., provocando desde gastroenterites até infecções mais graves, como a síndrome hemolítico-urêmica. Crianças, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas são mais suscetíveis”, alerta.
Apesar dos riscos, mudanças simples no dia a dia podem reduzir de forma significativa os casos de DTAs. A nutricionista reforça que atitudes básicas já fazem grande diferença. “Lavar as mãos corretamente e com frequência, manter os alimentos refrigerados de forma adequada, evitar contaminação cruzada, cozinhar bem carnes e ovos, higienizar corretamente hortaliças, não lavar carnes cruas e respeitar tempo e temperatura de armazenamento são medidas simples, mas extremamente eficazes”, conclui.
Por: Laís Marques
Fonte: Asscom Unit
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