A CCIFB lança em 26 de agosto uma comissão para conectar empresas, governos, investidores e centros de pesquisa. A meta é atrair investimentos e tecnologia para minerais críticos e terras raras.
A CCIFB (Câmara de Comércio França-Brasil) anunciou a criação de uma comissão dedicada à mineração, com o objetivo de aproximar empresas, governos, investidores e centros de pesquisa do Brasil e da França. O lançamento oficial da iniciativa ocorrerá no dia 26 de agosto.
A proposta visa estabelecer um canal permanente que estimule investimentos, desenvolvimento tecnológico e novas oportunidades de negócios, com foco especial em minerais críticos e terras raras. Essa ação faz parte de um movimento mais amplo da França para transformar a relação com o Brasil em projetos concretos, através de instituições públicas de financiamento e pela integração de projetos brasileiros nas cadeias industriais europeias.
Os minerais críticos foram considerados uma prioridade pela presidência francesa do G7 em 2026. Durante a cúpula realizada em Évian, em junho, os países participantes assinaram uma declaração que enfatiza a diversificação e a segurança dessas cadeias, abordando medidas de financiamento, rastreabilidade, estoques e a redução da dependência de fornecedores concentrados.
Um exemplo significativo dessa aproximação é o Projeto Colossus, que envolve terras raras e está sendo desenvolvido pela australiana Viridis Mining and Minerals em Minas Gerais. Em novembro de 2025, a empresa recebeu uma carta de apoio não vinculante da Bpifrance Assurance Export, uma agência francesa de crédito à exportação, reconhecendo o Colossus como elegível para o programa francês de financiamento de projetos estratégicos. Este mecanismo pode assegurar até 50% da dívida sênior do projeto, dependendo da estrutura final da operação e da participação francesa.
Além disso, a relação entre as partes ganhou um novo componente em junho deste ano, quando a Viridis assinou uma carta de intenções com a Solvay. O acordo visa fornecer, a partir do Brasil, matéria-prima de terras raras para a unidade da Solvay em La Rochelle, na França. Apesar de a Solvay ter origem belga, sua planta na França é estratégica para a cadeia europeia, pois é uma das poucas capazes de separar terras raras em escala industrial.
De acordo com o entendimento firmado, a produção brasileira deverá abastecer a unidade francesa a partir de 2028, incluindo elementos usados na fabricação de ímãs permanentes, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. A Solvay estabeleceu como meta atender a 30% da demanda europeia por terras raras leves e pesadas até 2030.
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