O Centro Especializado em Reabilitação José Leonel Aquino (CER IV), ligado à Secretaria de Estado da Saúde (SES), consolidou-se como referência no cuidado a pessoas com deficiência e transtornos do neurodesenvolvimento. Em quatro anos de funcionamento, a unidade já prestou múltiplos atendimentos a mais de 620 crianças neurodivergentes, abrangendo moradores de 36 municípios sergipanos.
Referência regional
O serviço oferece reabilitação física, auditiva, intelectual e visual, além de terapias voltadas ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). Entre os recursos disponíveis estão ergoespirometria para recuperação cardiopulmonar, distribuição de órteses, próteses, bolsas de ostomia e meios de locomoção para usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o diretor do CER IV, André Lucas Lima da Silveira, a expansão do quadro profissional, melhorias na estrutura e a reorganização do fluxo de pacientes eliminaram filas históricas e permitiram implantar novos serviços. “Hoje contamos com psiquiatria infantil, neuropediatria, pediatria, psicologia, neuropsicologia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e terapia aquática, adjuvante no tratamento do TEA”, detalhou.
Fluxo de atendimento
A porta de entrada é a regulação estadual, a partir de encaminhamentos das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Na chegada, o usuário passa por acolhimento e avaliação de elegibilidade. Quando incluído, recebe um Programa Terapêutico Singular (PTS), plano individual com metas e duração de três meses a um ano, conforme a necessidade clínica e comportamental.
Efeitos na rotina das famílias
A dona de casa Edileuza Barreto da Silva, 36 anos, afirma que o filho Kalel Muniz, 7, diagnosticado com TEA nível 2, TDAH e ansiedade, passou a concentrar-se melhor e melhorou o desempenho escolar após iniciar o acompanhamento.
Já a cuidadora de idosos Daniela dos Santos, 37, relata que o filho David Vieira dos Santos, 10, com TEA nível 3, reduziu comportamentos agressivos e avançou na comunicação. Após alta da reabilitação, o menino continua acompanhamento no Núcleo de Acolhimento em Terapias Especializadas (Nate), onde faz uso de canabidiol há nove meses.
Apoio ao cuidador
Em parceria com a Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic), o projeto Cuidando de quem cuida oferece refeição e lanche a pacientes e acompanhantes, além de rodas de conversa, cursos, oficinas e suporte emocional aos familiares. “Recebemos pacientes de todos os níveis de suporte, inclusive o nível 3, crescente na unidade”, destaca Danniella Gouveia, gerente operacional da Reabilitação Intelectual/TEA.
Evolução clínica
O neuropediatra Rodrigo Araújo explica que o trabalho integrado da equipe multidisciplinar permite revisar prontuários, ajustar estratégias e acompanhar de perto o progresso das crianças. A autônoma Rayane Silva, 34, confirma a eficácia: o filho Emanuel, 3, com TEA nível 2 e deficiência visual, passou a andar sem ajuda, interagir e emitir novas palavras após iniciar fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional no CER IV.
Reconhecimento nacional
Representantes do Ministério da Saúde visitaram o centro neste ano e classificaram a estrutura como uma das melhores do Norte e Nordeste. O modelo de organização, fluxo assistencial e integração multiprofissional atrai gestores de outros estados interessados em replicar a experiência. Além disso, o espaço abriga o Ambulatório de Imunoneurologia e Genética Médica e mantém a distribuição de dispositivos como cadeiras de rodas, muletas e aparelhos auditivos.
Com essas iniciativas, o Governo de Sergipe busca garantir autonomia, qualidade de vida e inclusão social a pessoas com TEA e demais neurodivergências atendidas pelo CER IV.
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